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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Mercado de franquias cresce 13,8% e passa de R$ 240,6 bilhões em 2023, segundo a ABF

Entre os segmentos que mais cresceram, o destaque foi o de alimentação, liderado pelo foodservice.


Imagem: Shutterstock

O ano de 2023 foi excelente para quem optou em investir em franquias no Brasil, segundo o relatório divulgado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) na tarde desta quinta-feira, 8. Entre os segmentos que mais cresceram, o destaque foi o de alimentação, liderado pelo foodservice.

O setor de franquias como um todo arrecadou R$ 240,6 bilhões, com crescimento final de 13,8% quando comparado a 2022. O número de operações encerrou o ano com 195.862 unidades, um aumento de 7,8%. O número de redes saltou 7,6%, encerrando 2023 com 3.311 redes franqueadas.

Entre os segmentos que mais cresceram, o destaque foi de alimentação. O foodservice (alimentação fora do lar) registrou 46.939 operações, um aumento de 17,9% comparado ao ano passado. O segmento foi impulsionado pelo delivery, que esteve em alta, pela retomada presencial, alta do ticket médio e novos modelos e formatos focados em conveniência e tecnologia com foco em aumento de produtividade.

Logo atrás vêm saúde, beleza e bem-estar com 55.647 unidades e crescimento de 17,5%. O setor foi puxado pelas mudanças dos hábitos do consumidor, maturidade das marcas e seus franqueados subsegmentados, cuidados pessoais, óticas, odontologia, farmácias e estética. A categoria de hotelaria e turismo ficou em terceiro lugar com 11.510 unidades e crescimento de 16,4% em comparação com 2022.

O setor se mantém relevante, com saldo bastante positivo entre abertura e fechamento de operações. Ainda segundo a pesquisa da ABF, o aumento de novas operações alcançou 17,3% dos franqueados, enquanto 5,9% das unidades fecharam suas portas, e 4,3% tiveram repasse de franquias.

Outro ponto importante é que mais de 1,7 milhão de brasileiros estão empregados no mercado de franchising, o que mostra como o setor se tornou uma indústria intensiva em mão de obra.

Para 2024, a associação projeta um crescimento de 10% no faturamento, 5,5% em unidades, 5% em redes e de 5,5% no número de empregados diretos do setor.

Fonte: Mercado & Consumo

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

2024: um ano para ir direct

 

Imagem: Shutterstock

Como último artigo de 2023 da Gouvêa Consulting, propus a nossa equipe que fizemos o esforço de resumir nossas principais percepções e aprendizados deste ano, que nos foi tão desafiador. O que trago a seguir, em relação ao ano de 2023, é fruto do que observamos em nosso dia a dia trabalhando com consultoria. Finalizo o artigo trazendo alguns insights do que esperar de 2024 e quais estratégias acreditamos que trarão resultados superiores aos negócios, dado o cenário projetado.

Primeiramente, compreendemos que 2023 foi um ano de paralisia nas ações de expansão de negócios. Desde o final de 2022 observamos que um cenário de incertezas (já posto, decorrente principalmente das dúvidas referentes à forma como o mundo iria responder aos desafios pós-pandemia) foi se agravando por diversos fatores, externos e internos.

Externamente, havia a desconfiança do quão resiliente seria o setor de serviços das economias centrais frente aos desafios trazidos com a pandemia. Entre eles, a escalada inflacionária, que mudou o padrão global de liquidez trazendo aumento das taxas de juros, e a eclosão de conflitos, como a guerra com a invasão das forças russas em território ucraniano em 24 de fevereiro de 2022.

No campo estrutural, o mundo ainda busca compreender como absorve a 4ª Revolução Industrial. Fala-se dos desafios da digitalização, mas estes vão muito além disso. Referem-se em como soluções como IA, IoT, BigData, blockchain etc. impactarão a forma como se produz, consome e comercializa bens e serviços, gerando mudanças qualitativa e permanentes nos negócios, nas economias, no emprego e na renda. As mudanças climáticas também devem ser pontuadas com o aumento da frequência de eventos externos devido ao aquecimento global.

Internamente, enquanto ainda observávamos como a economia nacional responderia aos desafios externos, um grande componente das incertezas foram as eleições presidenciais e as dúvidas quanto à condução das políticas econômicas, principalmente as fiscal e tributária.

O cenário propulsor da paralisia acima comentada também foi composto pela fraca demanda nacional, estafada pela inflação, endividamento e evolução lenta do rendimento médio do trabalho.

A taxa de juros, persistente no patamar de dois dígitos, que por um lado funcionou como instrumento de contenção inflacionária, por outro inibiu os investimentos e assim foi fator decisivo para paralisar as ações de expansão dos negócios.

Os componentes macroeconômicos internos citados: esgotamento da demanda pelo endividamento, inflação e fraca evolução dos rendimentos médios do trabalho e a taxa de juros elevada foram os principais ingredientes da crise das grandes varejistas, em que empresas como Lojas Americanas, Tok&Stok, Amaro, Riachuelo, Marisa, Renner, Livraria Cultura foram obrigadas a revisitar seus modelos de negócio em prol de recuperar sua sustentabilidade financeira.

Como segunda onde de crise no setor econômico, o pedido de recuperação judicial da SouthRock Capital, operadora de marcas como Starbucks, Subway, Eataly e TGI Fridays no Brasil sinalizou que os problemas decorrentes da fraca demanda e elevada taxas de juros se expandem também ao setor de foodservice e que a crise começa e ter característica mais sistêmica.

O Brasil deve fechar o ano com crescimento modesto de PIB em 2,92%, segundo o boletim Focus, e o controle inflacionário é um ponto positivo a se ressaltar. Nos negócios, as empresas buscaram preservar seus caixas e o foco voltou à eficiência operacional e a “fazer o básico bem-feito”. Esse comportamento que chamamos de paralisia nas ações de expansão de negócios foi motivado pelo cenário de elevadas incertezas e indefinição de rotas estratégicas a serem traçadas.

Para 2024, temos algumas certezas e muitas incertezas. As certezas dizem respeito a dois fatores:

  • As mudanças tecnológicas decorrentes da 4ª Revolução Industrial vieram para ficar. As rotas estratégicas das empresas devem contemplar ações em direção a este novo paradigma como phygitalização, data analytics, utilização da IA, dentre outras.
  • As mudanças no comportamento do consumidor também são permanentes. Os consumidores estão mais informados e inteligentes. E querem viver experiências phygitais, de baixa fricção e querem pagar pouco por isso. Querem consumir de empresas responsáveis e posicionadas. Querem se sentir únicos e incluídos. E a tecnologia existente hoje já apresenta caminhos visíveis e factíveis para contemplar esse novo comportamento.

Às incertezas dizem respeito principalmente ao cenário econômico e em como a economia responde às mudanças tecnológicas e do comportamento do consumidor. Para 2024, no mundo, a tendência de baixa liquidez continua, e as projeções indicam uma aterrisagem suave no processo inflacionário. Em termos de crescimento econômico, a projeção do FMI indica um aumento de 2,9%, abaixo da média histórica de 3%. É importante ressaltar que tanto inflação quando crescimento ocorre em um cenário de acirramento de desigualdades. Observa-se cenários mais favoráveis para as economias já mais desenvolvidas, o que atrasa o processo de convergência internacional.

No radar, deve estar a crise no setor imobiliário chinês, que pode impactar a economia global e deve impactar a economia brasileira, devido à exportação para este país de minério de ferro, principalmente.

O cenário para a economia brasileira para 2024 é bastante “morno”. O mercado sinaliza via Boletim Focus um IPCA de 3,93%, um crescimento do PIB bem moderado, de 1,51%, um câmbio de R$ 5 e redução da Selic para 9,25% (boa notícia). Neste contexto, fica em evidência que a instabilidade deve ficar por conta do cenário político, decorrente da incerteza quanto ao comprometimento principalmente com a política fiscal e as mudanças decorrentes da política tributária.

Apostamos que em um cenário de recursos curtos, de cenário econômico morno e de mudanças irreversíveis tecnológicas e no comportamento do consumidor, a grande estratégia é ir direct to consumer. As estratégias que têm o consumidor como centro (costumer centrics) e que criam um canal direto para este consumidor serão aquelas que irão entregar as experiências completas que este consumidor deseja, com um menor custo pela ausência de intermediários.

Neste sentido, acreditamos que ir direct significa colocar-se ao amparo das tendências que se apresentam no horizonte. Permite que as empresas mantenham um termômetro em tempo real com o consumidor e o mercado, entregando a melhor experiência com a possibilidade de responder com agilidade às mudanças que se observa.

O controle quanto à transmissão do que é, de fato, o DNA e a cultura da empresa é muito maior quando se vai direct to consumer­, essencial em um cenário de concorrência acirrada e de pequena margem de erro. O menor investimento e melhor rentabilidades são visíveis em uma estratégia DTC (direct to consumer). O relacionamento direto também é muito receptivo à inovação e o vínculo íntimo e sem intermediários com o consumidor permite a colaboração e cocriarão. Em suma, observamos que a indústria que vai direto ao consumidor não volta atrás.

Finalizo este artigo desejando a todos os que nos leem boas festas e que o próximo ano seja de muitas conquistas. A Gouvêa Consulting agradece a todos que fizeram nosso ano de 2023 tão rico e de tanto aprendizado.

*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Fonte: Mercado & Consumo

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Shein inaugura terceira loja pop-up do ano no Rio de Janeiro

Escolhida pela segunda vez, a cidade é um dos principais mercados da marca no País.


Imagem: Mercado&Consumo

A varejista de moda e beleza Shein anunciou a inauguração de sua terceira loja pop-up de 2023 no Brasil. Desta vez, a cidade escolhida foi o Rio de Janeiro, um dos principais mercados da marca no País. O espaço ficará aberto ao público de forma temporária de 15 a 18 de dezembro, no Fashion Mall em São Conrado.

Esta é a segunda vez que a Shein estará de forma física na capital carioca. Diferentemente da primeira inauguração na cidade, quando era possível fazer compras apenas com um QR Code, agora os consumidores terão a oportunidade de visitar o espaço, realizar as compras no local e sair com os produtos.

Com o crescimento exponencial da marca no Brasil, a Shein vem investindo no País como mercado estratégico na América Latina, por meio de experiências que vão além do aplicativo. Depois do sucesso das lojas pop-ups no Rio de Janeiro e em São Paulo em 2022, e em Salvador e Belo Horizonte neste ano, a marca retorna para seu ponto de partida e se reconecta com o público carioca trazendo diversas novidades.

“O Rio de Janeiro é um mercado muito importante para a Shein, mas mais do que isso, é um verdadeiro reduto de estilos e tendências. Estamos muito empolgados em aproveitar o clima mágico de final do ano e surpreender o público carioca com uma experiência ainda melhor do que o sucesso que foi a edição passada”, afirma Raquel Arruda, diretora de Marketing da Shein no Brasil.

Durante o período de abertura da loja pop-up, os visitantes terão acesso a uma curadoria com cerca de 11.000 peças, que vão desde as tendências de moda até peças de estações de primavera-verão. Além dos best-sellers da Shein, os consumidores também encontram peças da coleção da marca com a influenciadora Virgínia, lançada em outubro deste ano, e 5.000 peças fabricadas no Brasil.

O acesso à loja será permitido apenas com agendamento prévio e gratuito no site oficial. Os ingressos estarão disponíveis a partir do dia 12 de dezembro, às 10h. A medida visa evitar superlotação.

Brinde exclusivo 

Com 906 m², a loja pop-up no Fashion Mall em São Conrado conta com ambientes instagramáveis. Os consumidores que utilizarem a hashtag #SHEINRJ marcando o perfil oficial @sheinbrasil poderão retirar um brinde exclusivo com a equipe no local.

Além disso, todos os visitantes terão 15% de desconto sem valor mínimo e 20% de desconto em valores acima de R$ 400,00.

Fonte: Mercado & Consumo

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

A realidade e os desafios do foodservice em 2023

O foodservice brasileiro passa por um momento de ajuste à realidade em 2023. Após um forte crescimento em 2022, quando não havia mais quaisquer restrições ao consumo e à circulação, neste ano o setor encarou um cenário mais complexo, perdendo ritmo de crescimento.

Imagem: Shutterstock

Embora o gasto total do consumidor no setor tenha aumentado de forma consistente ao longo dos últimos dois anos, segundo dados do Crest, no acumulado de nove meses (janeiro a setembro), 2023 está apenas 2% acima de 2022, mostrando que a retomada do consumo no pós-pandemia perdeu ritmo – caindo 3% no 3º trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2022, a primeira queda dos últimos dois anos.

A princípio, o cenário econômico parece favorável ao consumo, segundo diferentes dados do IBGE: queda rápida da taxa de desocupação, que atingiu 7,6% em no trimestre móvel finalizado em outubro (a menor desde 2015); crescimento do rendimento médio real da população, recuperando as perdas da pandemia; queda consistente da inflação, sobretudo da alimentação dentro do domicílio; além da confiança do consumidor, que segue em crescimento de acordo com a FGV.

Por outro lado, há o forte endividamento das famílias, que atingiu 77,4% em setembro, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio. Ou seja, apesar de um cenário aparentemente favorável, a renda disponível para consumo está limitada por obrigações financeiras e inadimplência.

A redução do consumo no foodservice não impacta apenas os operadores na ponta final, mas também os diferentes elos da cadeia de valor, principalmente em suas etapas de abastecimento.

Segundo o Foodcheck, as compras de insumos por restaurantes, lanchonetes e padarias mostraram tendência de queda ao longo do ano. Essa redução das compras atingiu os diferentes canais de abastecimento, como os atacadistas, distribuidores, indústria, varejo e cash&carry. Em outubro, a queda do volume de compras foi de 8%, se somando às quedas dos três meses anteriores.

Queda das vendas e do abastecimento: o que tem reprimido o consumo do brasileiro? Redução de gastos.
De acordo com a 4ª edição do Tomorrow’s Consumer, estudo proprietário da Mosaiclab, 66% dos brasileiros reduziram os gastos em alimentação fora de casa por causa da contenção de custos. Restrição orçamentária é a ordem do dia dentro dos endividados lares brasileiros.

Mas diferentes aprendizados ao longo do ano mostram possíveis caminhos de recuperação: melhor custo-benefício das ofertas, praticidade, conveniência, vantagens por meio de programas de fidelidade, simplificando a jornada do consumidor.

É esperado, porém, que a lenta recuperação do setor permaneça desigual, considerando que a maioria dos restaurantes brasileiros, independentes e pequenos, têm orçamento muito limitado e margens curtas para investir em soluções mais caras, que ficam mais restritas às redes, com maior capacidade de investimento.

Apesar de projeções positivas para os próximos dois anos, a recuperação efetiva do foodservice brasileiro passa por um crescimento consistente da economia brasileira, permitindo ganhos reais na renda das famílias, redução do seu endividamento e aumento sustentável do consumo.

Eduardo Bueno é head de Pesquisa e Inteligência na Mosaiclab, responsável pela pesquisa Crest no Brasil.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Fonte: Mercado & Consumo

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Conheça as tendências do varejo 2024

Do uso de IA ao conceito phygital, o setor prepara-se para um ano de reinvenção e integração entre canais de compra.

Imagem: Consumidor Moderno

Preparando-se para as tendências do varejo 2024, o setor se organiza para enfrentar transformações significativas. Apesar das incertezas econômicas e da cautela do consumidor, há uma perspectiva positiva esperada. Segundo Antônio Sá, sócio-fundador da Amicci, empresa de tecnologia de varejo private label, a previsão é de um cenário no qual as lojas físicas se reinventarão. Elas vão oferecer experiências personalizadas para atrair e fidelizar clientes.

“Os diversos canais de consumo que o varejo já tem continuam sendo muito importantes, mas, em 2023, comprovamos a importância da loja física. Perto da casa do cliente ou do trabalho, esses pontos de venda, que já trazem comodidade, serão totalmente transformados e evoluídos, oferecendo experiências ainda mais personalizadas, simplificadas e inovadoras”, explica. A ideia é despertar os sentidos dos consumidores, utilizando elementos sensoriais como música, aromas e iluminação para criar ambientes agradáveis e confortáveis.

Jornada simplificada

A implementação de tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e machine learning será fundamental para otimizar processos internos das lojas. Desde o gerenciamento de estoque até a detecção de fraudes e análise preditiva, essas ferramentas contribuirão para aprimorar a segurança, antecipar tendências de consumo e ajustar preços de forma dinâmica.

Para os consumidores, isso se traduzirá em uma jornada de compra simplificada. A experiência de visitar uma loja física será focada na comodidade, agilidade na escolha dos produtos e um processo de checkout sem atritos, reduzindo ao máximo o tempo na finalização da compra.

“No final do dia, todos esses aspectos irão colaborar para a jornada de compra se tornar muito mais suave e customizada. O objetivo é que o consumidor tenha uma experiência sensorial e de tempo para que ele se sinta bem na loja, sem esforço. Com isso, a relação entre comprador e vendedor será fortalecida e o ato da visita mais desejado e frequente”, finaliza Sá. 

IA e análise de dados

Em 2024, os varejistas estão priorizando investimentos em ferramentas de engajamento do cliente impulsionadas pela IA para atender à busca crescente dos consumidores por experiências de compra personalizadas e imersivas. A análise do comportamento do cliente assume um papel fundamental para desenvolver estratégias de marketing e engajamento mais eficazes. 

Ao coletar e analisar dados, os varejistas podem obter insights valiosos sobre preferências, padrões de compra e áreas que podem ser aprimoradas. Essa abordagem orientada por dados permite ajustar ofertas, criar campanhas de marketing direcionadas e fortalecer a fidelidade dos clientes.

Personalização em foco

Como acabamos de ver, a coleta e análise de dados serão fundamentais para oferecer uma experiência única aos consumidores. Nesse contexto, a personalização não se limitará a chamar o cliente pelo nome, mas sim em entender suas preferências e comportamentos. 

Chatbots e assistentes virtuais desempenharão um papel significativo na interação com o consumidor. Isso acontecerá tanto nas lojas físicas quanto online, otimizando a tomada de decisões e elevando a experiência de compra a um novo patamar.

O futuro é phygital

Além disso, os pagamentos digitais ganharão destaque. Isso inclui o uso crescente de carteiras digitais e novas tecnologias de identificação do cliente, como pagamentos por aproximação ou reconhecimento facial.

Experiência redefinida e conectada

Em resumo, todas essas inovações visam tornar a jornada de compra mais fluida, personalizada e agradável para os consumidores. Além de fortalecer o relacionamento entre comprador e vendedor e tornar a visita às lojas uma experiência desejada e frequente.

As perspectivas para o varejo em 2024 indicam uma transformação profunda, impulsionada pela reinvenção das lojas físicas e pela integração entre os mundos online e offline, oferecendo aos consumidores uma experiência de compra redefinida e mais conectada com suas necessidades e preferências.

Estratégias do varejo omnichannel

Em 2024, os varejistas se concentram em criar uma estratégia de distribuição que mantenha a mesma experiência para os consumidores, seja na loja física, online ou via aplicativos. Utilizando tecnologias, eles buscam manter um controle em tempo real do estoque, uma logística mais eficiente e uma identidade de marca consistente, para garantir uma experiência de compra coesa.

Retail media networks (RMNs) 

“São plataformas que conectam compradores e vendedores, oferecendo uma variedade impressionante de produtos e serviços. Na revolução do comércio online, eles são os principais protagonistas: trouxeram conveniência para os consumidores, algo que é muito valorizado nos dias de hoje”, explica Fabrizzio Topper, CEO da DRIVEN.cx

Portanto, a previsão é que as retail medias continuem a crescer e se expandir para lojas com sinalização digital. Essa expansão promete uma influência ainda maior sobre os compradores, estendendo-se para o ambiente das lojas físicas e reforçando a presença desse formato de publicidade no varejo.

Fonte: Consumidor Moderno

O mix de lojas do shopping mudou. E vai continuar mudando, sem parar

 

Imagens: Divulgação

Há sete anos, praticamente metade das lojas de um shopping center vendia moda. Hoje, outros segmentos como alimentação, entretenimento e bem-estar, roubam a cena no tenant mix (mescla de inquilinos). O que aconteceu? É simples. Os centros de compra do passado ganharam novas roupagens e funções na vida das pessoas.

O Credit Suisse produziu, sete anos atrás, interessante relatório onde analisou o mix das principais empresas de shopping centers no quarto trimestre de 2016. Os shoppings da Multiplan, na época, possuíam 51% das lojas dedicadas à moda. No Iguatemi esse percentual era parecido: 49%. No portfólio da Aliansce e brMalls, moda representava algo em torno de 45% da quantidade de lojas.

De lá para cá muita coisa aconteceu. O protagonismo do segmento de moda diminuiu. A ideia do shopping como destino de convivência e diversão consolidou-se. O digital mudou hábitos, em especial após a pandemia, e levou marcas importantes às cordas. Diante disso tudo, estranho seria se os shopping centers ficassem iguais.

Não ficaram. Na Multiplan, somente 33% da ABL (área bruta locável) são hoje ocupados por lojas de vestuário, uma queda de três pontos percentuais em comparação com 10 anos atrás. Por outro lado, o setor de comida e bebida cresceu 3,5% no período.

Isso é apenas o começo. Na expansão do ParkShopping Barigui, que a Multiplan possui em Curitiba, os destaques serão a ampliação do ParkGourmet, a chegada do playground indoor FunPark, a volta do Hot Zone e um centro médico com quatro mil metros quadrados. Ou seja: o trio gastronomia, entretenimento e serviços reinará na nova área de 15 mil metros quadrados.

Ilustração ParkShopping Barigui

Esse não é um movimento isolado. Nos empreendimentos da Ancar Ivanhoe, as operações de alimentação ocupam hoje 25% da ABL. As de entretenimento, 5%. Serviços somam 10% e lojas que oferecem bem-estar contribuem com 15%. O restante do varejo, incluindo moda, fica com os demais 45% das áreas de vendas.

Na opinião de Evandro Ferrer, CEO, da Ancar Ivanhoe, gastronomia, entretenimento e bem-estar serão as novas ancoragens dos shoppings. “Hoje possuímos 21 restaurantes no Nova América (RJ), todos operando bem. No Botafogo Praia Shopping são 12 restaurantes. Isso sem falar nos ‘pontos de parada’, que é como chamamos os cafés, gelaterias, docerias e chocolaterias, que têm crescido muito. A demanda dos clientes parece não ter fim”.

Outra aposta certeira de Ferrer é no segmento chamado de ‘bem-estar’. “Bem-estar é tudo o que faz bem a você: academia, estética, massagem, cosméticos e farmácias, que hoje vendem muito por conta dos produtos de beleza”.

O Center Norte, em São Paulo, também está surfando as ondas no novo tenant mix. Aproveitou a expansão, inaugurada no final de outubro, para ajustar a oferta de lojas às demandas do consumidor. Além das novas marcas, trocou uma TNG pelo Cruzeiros Bar e uma hamburgueria por dois bares que ainda não haviam chegado à Zona Norte: o Pirajá e o Vaca Véia.

Investiu ainda no varejo de experiência, ampliando a loja da iPlace, para que pudesse agregar serviços e trouxe a Lego. “Identificamos a necessidade de aumentar a oferta de experiências para o público infantil, o que a Lego faz muito bem”, explica Guilherme Marini, Diretor de Shoppings da Cidade Center Norte.

É evidente que, além de lojas entrando nos shoppings, há outras saindo. Marcas importantes, como Marisa, Americanas, Tok&Stok, Livraria Cultura, Amaro e Starbucks fecharam lojas esse ano. Porém, no frigir dos ovos, o que parecia um enorme problema revelou-se uma oportunidade para bons ativos.

“O alto turnover em 2023, no final ajudou, proporcionando espaço para mais mudanças no mix”, explicou Armando d’Almeida Neto, Diretor Vice-Presidente e de Relações com Investidores da Multiplan.

É fato. Nos últimos 12 meses, terminados em setembro, a Multiplan promoveu a troca de quase 80 mil metros quadrados de área de lojas, algo perto de 9% da ABL total. A vacância se manteve em 3,6%, um patamar relativamente baixo. Isso aconteceu porque novas lojas abriram, em especial no setor de alimentação.

Algo semelhante aconteceu na Allos. “Nas últimas trocas que fizemos observamos que as lojas que entraram estão vendendo 33,9% a mais do que as que saíram”, informou Felipe Andrade, Diretor Comercial, em entrevista recente ao jornal O Globo.

Shopping Center Norte, zona norte de São Paulo

Outra mudança em relação ao passado é a distribuição estratégica das lojas ao longo dos corredores. “Pensar uma melhor experiência do cliente como um todo pode significar colocar uma oferta de chocolate, doce ou sorvete ao lado de uma loja de moda, por exemplo”, ensinou Marini, do Center Norte. D’Almeida Neto, da Multiplan, concorda. “A gente tinha a estratégia de deixar tudo muito organizadinho. Mas o shopping agora precisa ser a réplica da rua. E a rua não é tão organizada assim”.

Uma preocupação que permeia a indústria de shopping centers é com o pequeno lojista, que vem perdendo capacidade de competir com as grandes redes e franquias. “Temos feito mais negociações com esses grupos com melhor estrutura, mesmo que eles dependam de franqueados e menos com lojistas independentes”, relata Marini.

Ferrer, da Ancar Ivanhoe, também reconhece o risco que os pequenos varejistas correm. “Temos que nos preocupar com nossos lojistas. Hoje cerca de 30% das lojas são isoladas, não pertencem a uma rede e, portanto, contam com menos suporte.”

Para atenuar o problema, a Ancar Ivanhoe disponibiliza para os lojistas a Universidade do Lojista, pensando no desenvolvimento não somente do empresário, mas também das equipes de venda. “Queremos que o vendedor queira trabalhar em uma loja localizada em um shopping da Ancar porque ali ele sabe que terá apoio para se desenvolver”, afirma Ferrer.

Não há dúvida de que o tenant mix mudou. E sobram certezas de que continuará a mudar. “Não termina nunca, é um trabalho contínuo”, sintetiza Marini. Ele está certo. O desafio não é apenas ajustar o conjunto de lojas às demandas atuais dos consumidores. É construir processos para evoluir permanentemente.

D’Almeida, da Multiplan, acredita que é o consumidor quem determina o mix do shopping. E as pessoas mudam o tempo todo. Por isso, é tão importante investir em pesquisas e informação para desenvolver a inteligência comercial. “Temos uma quantidade absurda de dados extraídos da operação, que direcionam para onde o mix deve seguir. Usar dados que você tem, hoje, é a melhor forma de fazer isso”.

Usar dados e pesquisas com o consumidor é, de fato, essencial. Mas tudo isso vale pouco se os shoppings não se libertarem de antigos mitos. Até pouco tempo atrás, o mercado consultava uma tabela para construir o mix ideal. Hoje, receita de bolo não funciona mais.

Ferrer acredita que é preciso revisitar a classificação de mix do passado para trazer mais diversidade. “As estratégias comerciais devem ser mais dinâmicas, permitindo mais liberdade para criar”.

É bem por aí. Quem viver, verá.

Luiz Alberto Marinho é sócio-diretor da Gouvêa Malls.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Fonte: Mercado & Consumo