86S3kuextR2S3YWJ_kx2UbklxpY

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Consumidor brasileiro adia planos de compras à espera de um cenário econômico melhor

Apreensivo, consumidor brasileiro adia planos de compras à espera de um cenário econômico melhor, aponta enquete da Deloitte.
  • – Consumidor quer descontos à vista e vai à procura de preços mais baixos
  • – Internet foi canal priorizado nas compras de Natal, de acordo com o levantamento
Ainda preocupados com a crise econômica, e diante de riscos como o de vir a perder seus empregos, os consumidores brasileiros, em sua maioria,  estão apreensivos neste começo de ano e adiam para o segundo semestre seus planos de compras ou de gastos, à espera de uma melhora do cenário nacional. É o que mostra a enquete “Hábitos e tendências de consumo do brasileiro no início de 2017”, realizada pela Deloitte.
De acordo com o levantamento, em questão aberta a múltiplas escolhas, 61% dos participantes da enquete afirmaram que vão postergar para o segundo semestre do ano possíveis gastos com viagens e com a troca de equipamentos eletroeletrônicos (como TV, smartphone, computador etc.). O segundo desejo de compra mais citado, e que ficará para mais tarde para 51% dos pesquisados, está relacionado à troca de eletrodomésticos (como geladeira, fogão e outras utilidades para o lar). A compra ou troca de carro vem em terceiro lugar na lista de desejos postergados para a segunda metade do ano (com 45% das referências).
Alguns serviços também devem ser afetados pela cautela do consumidor, já que 41% dos 1.084 consultados pelo instituto IBOPE/Conecta-i afirmaram que vão protelar para o segundo semestre de 2017 os gastos previstos com cuidados pessoais (como academia e tratamentos estéticos, entre outros).
O seguimento de consumo menos afetado, de acordo com a enquete, é o de educação, já que 34% dos pesquisados planejam deixar para mais adiante seus planos de gastar com cursos superiores, de línguas ou técnicos.
“Percebemos que as pessoas têm muita vontade de que o Brasil volte logo aos trilhos. Mas, como já tínhamos percebido em nossa Pesquisa de Natal 2016, o consumidor segue cauteloso diante da crise renitente, inclusive com receio de perder seu emprego. É natural, então, que adie seus planos de compra, esperando uma melhora no cenário econômico”, avalia o responsável pela enquete, Reynaldo Saad, sócio-líder para a indústria de Bens de Consumo e Produtos Industriais da Deloitte Brasil.
Para o executivo, o Brasil não alcançou o estágio de maturidade que se reflete em uma economia estável e bem estruturada. “O brasileiro levou um grande susto. Ele teve um vislumbre de melhora com o ‘boom’ consumista de alguns anos atrás, percebeu que aquilo não era sustentável e agora está sendo ponderado: ‘Preciso parar para pensar um pouco antes de gastar ou de me endividar’.”
 
Situação financeira melhor para 34% dos entrevistados
Segundo os dados da enquete, a maior parte dos brasileiros que participou do levantamento (37%) considera estar hoje em igual situação financeira à que estava no início de 2016. Para 27%, a situação pessoal do momento é pior do que há um ano. E, diante de doze meses ruins como termo de comparação, 34% dos participantes se veem atualmente em melhor situação do que no mês de janeiro anterior.
Os fatores que mais influenciaram a decisão de compra dos consumidores neste início de ano foram: o receio dos efeitos da crise econômica (citado por 94% dos participantes da enquete); cautela em relação à alta da inflação e/ou dos juros (91%); o fato de os pesquisados afirmarem que sempre economizam ou poupam parte ou todo o seu décimo terceiro salário (65%); e o receio de perder o emprego (com 44% das referências).
 
Descontos e preço baixo estimulam vendas
A enquete “Hábitos e tendências de consumo do brasileiro no início de 2017” reforça que o brasileiro que pretendia comprar neste início de ano estava muito interessado em descontos e em preços mais baixos para efetivar suas aquisições. Em relação às grandes liquidações de começo de ano, 63% dos participantes destacaram que o fator “maior desconto para pagamento à vista” é o mais valorizado no momento da compra, seguido por promoções do tipo compre um e leve dois, com 44% de citações. Também as ofertas de produtos de mostruário com preços reduzidos atraíam a atenção de 31% dos consumidores.
“Nesse ponto, o consumidor brasileiro recebeu um bom incentivo recentemente, com a publicação da MP (medida provisória) 764/2016, no final do ano, que autoriza os comerciantes a cobrarem preços diferentes para um mesmo produto, dependendo da forma de pagamento escolhida pelo cliente (com cartão de crédito ou de débito, dinheiro à vista, crediário e outras). A medida veio acabar com uma insegurança jurídica que atingia os varejistas, já que esse tipo de diferenciação na cobrança era oficialmente proibido, bem como se tornou um ótimo impulso para melhorar suas vendas”, explica Reynaldo Saad.
Em relação ao canal de compras priorizado, dos 1.084 pesquisados, 48% afirmaram ter concentrado suas compras na Internet; enquanto que 47% priorizaram lojas físicas; e 5% disseram que sequer fizeram compras de Natal.
 
Sobre a enquete
A enquete “Hábitos e tendências de consumo do brasileiro no início de 2017” foi realizada pela Deloitte e aplicada, via internet, pelo instituto independente de pesquisas IBOPE/Conecta-i.
O questionário online foi aplicado entre os dias 10 e 18 janeiro de 2017 a 1.084 pessoas de todo o Brasil, representando as diferentes classes sociais.
Dentre os participantes, 51% eram mulheres e 49%, homens. O maior grupo (38% dos pesquisados) integra a chamada Geração X (de 31 a 44 anos); seguido pela Geração Y (35%, com idades entre 18 e 30 anos); 22% de Baby Boomers (45 a 60 anos); e 5% de pessoas com mais de 61 anos.
Do total de participantes, 76% afirmaram estar trabalhando atualmente. No recorte por renda familiar, 44% pertenciam à classe “C” (de R$ 2.431 a R$ 6.480 ao mês); 30% integravam as classes “D” e “E” (com renda até R$ 2.430); 18% enquadraram-se nas classes “A” e “B” (de R$ 6.481 a R$12.150); e 8% declararam-se da classe “A+” (com ganhos mensais superiores a R$ 12.151).
 
Fonte: O negócio do varejo

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Para conquistar clientes, marcas investem em ‘cheirinho de loja’

Era década de 1970 quando a empresária Giovanna Kupfer, então dona da marca Giovanna Baby, lavava com uma mistura de água e perfume a calçada diante de sua loja, instalada no bairro Jardins, em São Paulo. Sem saber, ela era a primeira a trabalhar com sucesso o marketing olfativo no Brasil. O cheiro do perfume, que já era comercializado, passou a ser imediatamente relacionado à marca.

Hoje, empresas fazem o caminho inverso: em vez de utilizarem a fragrância que vendem para perfumar a loja, criam uma fragrância para aromatizar e dar uma identidade olfativa à marca. Se o sucesso for grande, podem passar a vender o perfume.

A marca de roupas Le Lis Blanc é uma das que melhor utilizam essa ferramenta de marketing, segundo especialistas. Cecília Borges, que começou na Giovanna Baby e participou da elaboração do aroma da Le Lis, conta que é preciso fazer uma imersão nas companhias para poder criar uma identidade olfativa. No caso da Le Lis Blanc, foram cerca de sete meses para desenvolver o aroma baseado em alecrim. “Precisamos entender a alma da empresa para contar uma história pelo cheiro”, afirma a hoje sócia da SeivAroma, empresa especializada em marketing olfativo.

Recentemente, Cecília participou do desenvolvimento de um perfume, para um laboratório de medicamentos genéricos, que será aplicado em brindes distribuídos a médicos. A estratégia é que a fragrância ajude a companhia a se consolidar no meio médico.

De acordo com a professora Heloisa Omine, da ESPM, o marketing olfativo começou a ser explorado por redes de vestuário, mas hoje avança em outros setores – há hotéis que têm sua própria fragrância e o segmento automotivo passou a borrifar perfumes nos interiores dos veículos que imitam o cheiro de “carro novo”. “As montadoras impregnam os carros para que esse aroma permaneça por um tempo mais prolongado”, conta.

A diretora de marketing da multinacional do setor Drom, Renata Abelin, diz que atualmente todos os segmentos procuram aliar um cheiro à marca. “A memória olfativa é muito forte e conseguir comunicar a marca com um cheiro é mais uma ferramenta para vender.”

A professora da ESPM conta que as empresas procuram os perfumes tanto para passar uma sensação de bem-estar como para criar uma identidade para a marca, assim como o logotipo é uma identidade visual. Além da Le Lis Blanc, a marca de roupas Osklen também adotou de forma exitosa uma identidade olfativa, analisa Helena. A fragrância das lojas da marca remete à natureza. “É um cheiro de vento misturado com o da chuva, o que tem tudo a ver com o posicionamento da marca.” A Osklen é reconhecida por usar materiais sustentáveis em suas peças.

Marca transforma aroma em produto

A marca de roupas Mixed desenvolveu uma fragrância para suas lojas há 12 anos com o objetivo de aumentar a intenção dos clientes de visitar as unidades da marca. Segundo a fundadora e diretora criativa da Mixed, Riccy Souza Aranha, dois anos foram necessários para desenvolver um aroma que transmitisse a sensação de aconchego. Em seguida, as lojas e as sacolas da marca passaram a ser borrifadas com o perfume. Para atender os pedidos das clientes, que queriam levar o cheiro para casa, pequenas embalagens com a fragrância começaram a ser distribuídas como brinde. A procura foi tanta que Riccy acabou decidindo incluir o perfume no portfólio da marca. “Temos uma procura enorme”, diz.

(Com Estadão Conteúdo)
 
Fonte: VEJA
 
 
 
 

Consumidor brasileiro adia planos de compras à espera de um cenário econômico melhor

Apreensivo, consumidor brasileiro adia planos de compras à espera de um cenário econômico melhor, aponta enquete da Deloitte.
  • – Consumidor quer descontos à vista e vai à procura de preços mais baixos
  • – Internet foi canal priorizado nas compras de Natal, de acordo com o levantamento
Ainda preocupados com a crise econômica, e diante de riscos como o de vir a perder seus empregos, os consumidores brasileiros, em sua maioria,  estão apreensivos neste começo de ano e adiam para o segundo semestre seus planos de compras ou de gastos, à espera de uma melhora do cenário nacional. É o que mostra a enquete “Hábitos e tendências de consumo do brasileiro no início de 2017”, realizada pela Deloitte.
 
De acordo com o levantamento, em questão aberta a múltiplas escolhas, 61% dos participantes da enquete afirmaram que vão postergar para o segundo semestre do ano possíveis gastos com viagens e com a troca de equipamentos eletroeletrônicos (como TV, smartphone, computador etc.). O segundo desejo de compra mais citado, e que ficará para mais tarde para 51% dos pesquisados, está relacionado à troca de eletrodomésticos (como geladeira, fogão e outras utilidades para o lar). A compra ou troca de carro vem em terceiro lugar na lista de desejos postergados para a segunda metade do ano (com 45% das referências).
Alguns serviços também devem ser afetados pela cautela do consumidor, já que 41% dos 1.084 consultados pelo instituto IBOPE/Conecta-i afirmaram que vão protelar para o segundo semestre de 2017 os gastos previstos com cuidados pessoais (como academia e tratamentos estéticos, entre outros).
O seguimento de consumo menos afetado, de acordo com a enquete, é o de educação, já que 34% dos pesquisados planejam deixar para mais adiante seus planos de gastar com cursos superiores, de línguas ou técnicos.
“Percebemos que as pessoas têm muita vontade de que o Brasil volte logo aos trilhos. Mas, como já tínhamos percebido em nossa Pesquisa de Natal 2016, o consumidor segue cauteloso diante da crise renitente, inclusive com receio de perder seu emprego. É natural, então, que adie seus planos de compra, esperando uma melhora no cenário econômico”, avalia o responsável pela enquete, Reynaldo Saad, sócio-líder para a indústria de Bens de Consumo e Produtos Industriais da Deloitte Brasil.
Para o executivo, o Brasil não alcançou o estágio de maturidade que se reflete em uma economia estável e bem estruturada. “O brasileiro levou um grande susto. Ele teve um vislumbre de melhora com o ‘boom’ consumista de alguns anos atrás, percebeu que aquilo não era sustentável e agora está sendo ponderado: ‘Preciso parar para pensar um pouco antes de gastar ou de me endividar’.”
 
Situação financeira melhor para 34% dos entrevistados
Segundo os dados da enquete, a maior parte dos brasileiros que participou do levantamento (37%) considera estar hoje em igual situação financeira à que estava no início de 2016. Para 27%, a situação pessoal do momento é pior do que há um ano. E, diante de doze meses ruins como termo de comparação, 34% dos participantes se veem atualmente em melhor situação do que no mês de janeiro anterior.
Os fatores que mais influenciaram a decisão de compra dos consumidores neste início de ano foram: o receio dos efeitos da crise econômica (citado por 94% dos participantes da enquete); cautela em relação à alta da inflação e/ou dos juros (91%); o fato de os pesquisados afirmarem que sempre economizam ou poupam parte ou todo o seu décimo terceiro salário (65%); e o receio de perder o emprego (com 44% das referências).
 
Descontos e preço baixo estimulam vendas
A enquete “Hábitos e tendências de consumo do brasileiro no início de 2017” reforça que o brasileiro que pretendia comprar neste início de ano estava muito interessado em descontos e em preços mais baixos para efetivar suas aquisições. Em relação às grandes liquidações de começo de ano, 63% dos participantes destacaram que o fator “maior desconto para pagamento à vista” é o mais valorizado no momento da compra, seguido por promoções do tipo compre um e leve dois, com 44% de citações. Também as ofertas de produtos de mostruário com preços reduzidos atraíam a atenção de 31% dos consumidores.
“Nesse ponto, o consumidor brasileiro recebeu um bom incentivo recentemente, com a publicação da MP (medida provisória) 764/2016, no final do ano, que autoriza os comerciantes a cobrarem preços diferentes para um mesmo produto, dependendo da forma de pagamento escolhida pelo cliente (com cartão de crédito ou de débito, dinheiro à vista, crediário e outras). A medida veio acabar com uma insegurança jurídica que atingia os varejistas, já que esse tipo de diferenciação na cobrança era oficialmente proibido, bem como se tornou um ótimo impulso para melhorar suas vendas”, explica Reynaldo Saad.
Em relação ao canal de compras priorizado, dos 1.084 pesquisados, 48% afirmaram ter concentrado suas compras na Internet; enquanto que 47% priorizaram lojas físicas; e 5% disseram que sequer fizeram compras de Natal.
 
Sobre a enquete
A enquete “Hábitos e tendências de consumo do brasileiro no início de 2017” foi realizada pela Deloitte e aplicada, via internet, pelo instituto independente de pesquisas IBOPE/Conecta-i.
O questionário online foi aplicado entre os dias 10 e 18 janeiro de 2017 a 1.084 pessoas de todo o Brasil, representando as diferentes classes sociais.
Dentre os participantes, 51% eram mulheres e 49%, homens. O maior grupo (38% dos pesquisados) integra a chamada Geração X (de 31 a 44 anos); seguido pela Geração Y (35%, com idades entre 18 e 30 anos); 22% de Baby Boomers (45 a 60 anos); e 5% de pessoas com mais de 61 anos.
Do total de participantes, 76% afirmaram estar trabalhando atualmente. No recorte por renda familiar, 44% pertenciam à classe “C” (de R$ 2.431 a R$ 6.480 ao mês); 30% integravam as classes “D” e “E” (com renda até R$ 2.430); 18% enquadraram-se nas classes “A” e “B” (de R$ 6.481 a R$12.150); e 8% declararam-se da classe “A+” (com ganhos mensais superiores a R$ 12.151).
 
Fonte: O negócio do varejo

6 Insights da NRF 2017

6 grandes insights e as principais tendências apresentadas na NRF 2017 por Alberto Serrentino e Eduardo Terra, líderes do Grupo BTR-Varese.
 
 
No mês de janeiro realiza-se em Nova York o tradicional evento Big Show – convenção e feira de varejo da NRF – National Retail Federation. É o principal evento de varejo nos EUA, que tradicionalmente atrai diversos brasileiros – este ano foram mais de 1.300. O Grupo BT-Varese levou delegação com 270 participantes para participarem da NRF. Neste artigo, “aterrissamos” em 6 grandes insights as principais tendências apresentadas no evento.

1) O novo mapa do varejo global

– os números sobre as empresas globais de varejo divulgados nesta última NRF mostram um novo mapa se formando no contexto global. O primeiro ponto que nos chamou muito a atenção foi o crescimento da Amazon, entrando para a importante lista dos Top 10 varejistas do mundo. Atualmente a 10ª maior empresa de varejo do mundo, se mantiver o seu crescimento dos últimos anos, a Amazon deve se tornar a 2ª varejista do mundo em no máximo 3 anos. Este fato mostra a força do e-commerce no mundo, com empresas ganhando cada vez maior representatividade. As vendas pela Internet já representam 19,6% do varejo na China, 18% no Reino Unido, 10% nos EUA 10% e 3,3% no Brasil. Mesmo no Brasil onde a representatividade total é menor em função da baixa penetração em alguns segmentos, categorias como informática já tem mais de 1/3 das vendas sendo fechadas pela Internet.
Os valores de mercado das principais empresas do varejo também mostram este novo mapa do mercado, a Amazon atualmente vale US$ 370 bilhões, quase duas vezes o valor de mercado do Wal-Mart (US$ 200 bilhões), faturando 5 vezes menos. Ou seja, os investidores percebem as perspectivas de crescimento da Amazon e seu papel no futuro do varejo. Além da força do e-commerce os números e rankings divulgados na NRF mostram a evolução da globalização no varejo. Apesar de ainda ser considerada uma “indústria” de empresas locais e regionais, o varejo tem mostrado uma evolução em termos de globalização. A participação no faturamento das empresas de varejo geradas fora de seus países de origem tem crescido (Wal-Mart 25,8%, Carrefour 52,9%, Amazon 38%), o número de diferentes países de atuação também cresceu (Wal-Mart 30 países, Carrefour 35 países, Amazon 14 países). No Brasil, a presença dos grandes players do varejo global de manteve estável. Temos atualmente 32 das 250 maiores empresas de varejo com atuação em solo brasileiro.

2) Tecnologias emergentes

– cada vez mais observamos a penetração de tecnologias acessíveis do ponto de vista econômico na construção da experiência nas lojas e na busca de eficiência e produtividade das empresas varejistas. Foram destaques nesta edição da NRF realidade virtual, realidade aumentada, uso dos robôs e o monitoramento das lojas com uso de câmeras e wi-fi. Existe uma característica comum em todas elas, a massificação das tecnologias com o uso doméstico em escala global.
Este fenômeno tem barateado os equipamentos e tornado o uso mais fácil pelo consumidor. Dois exemplos estão na realidade virtual e na realidade aumentada. A primeira vem ganhando força com as novas gerações de vídeo games, que permitem uma experiência mais real e emocional para os seus adeptos. No e-commerce os óculos de realidade virtual, que já podem ser comprados por menos de US$ 20,00 permitem que o consumidor viva uma experiência muito próxima a estar em uma loja de verdade. Diversos cases foram apresentados mostrando a aplicação desta solução.
A realidade aumentada permite que o consumidor projete em sua sala, em seus ambientes reais, uma televisão, um móvel ou até peças de roupa em uma espécie de manequim virtual com as mesmas medidas de quem está comprando.
Os robôs também apareceram com força e desta vez mais acessíveis e humanizados. Um exemplo foi o robô apresentado pela Tyco que por US$ 7,00 por hora faz o papel de segurança em uma loja, monitorando o estacionamento ( carros e pessoas ), monitorando lojas com atenção para cheiros, barulhos e situações de perigo ou ameaça. Robôs que fazer o papel de primeiro atendimento em lojas e robôs que fazem inventário ou monitoramento de planogramas também foram apresentados, sempre com um discurso de viabilidade econômico-financeiro. Por fim, o uso de câmeras e wi-fi nas lojas físicas tem permitido os varejistas um monitoramento mais preciso do fluxo de suas lojas com indicadores de conversão e mapas de calor que permitem uma gestão mais científica das lojas.

3) “Data is the new oil” (informação como moeda forte)

– há muito tempo discutimos a necessidade de dados e informações na gestão das empresas de varejo. Apesar de termos superado a barreira da coleta dos dados e nos últimos 10 anos termos evoluído muito o conceito e as aplicações do Analytics com a geração de relatórios e análises cada vez mais precisos e didáticos, ainda temos um grande desafio: transformar esta enorme quantidade de informações em decisões, ações e resultados. Na NRF 2017 o conceito de computação cognitiva trouxe uma solução para esta questão, com o uso de algoritmos, motores de decisão e modelos estatísticos. A computação cognitiva dá um passo muito importante nesta jornada de transformarmos dados em resultados. Os gestores de varejo deixam de receber uma quantidade enorme de relatórios e gráficos e passam a interagir com motores de decisão. Exemplos práticos mostram que decisões sobre preços, sortimento, reposição e ações promocionais passam a ser tomadas com base na computação cognitiva e não mais pela opinião dos profissionais. Temos aqui um desafio de tecnologia (custos, aplicações e adaptações à realidade de cada segmento e ao Brasil), além de um grande desafio cultural. As empresas precisam começar a trabalhar a mentalidade de seus gestores, que insistem em desafiar informações e algoritmos de decisão; é preciso entender que estes motores têm muito mais condições de definir preços, quantidade de um produto pedido, entre outras questões. O uso da expressão “data is new oil “ em alguns painéis da NRF reflete em muito esta questão: assim como o petróleo, se os dados se forem extraídos, tratados, refinados, distribuídos e monetizados não têm valor algum para as empresas.

4) O futuro da loja

– o crescimento do varejo online e impacto do mundo digital nos negócios de varejo leva à inevitável reflexão sobre o futuro da loja física. A premissa fundamental é que as pessoas não irão em lojas porque precisam comprar, mas porque querem. As motivações para visitar e compras em lojas vão além de necessidades e envolvem informação, educação, interação social, inspiração, prazer e emoção.
Entretanto, para que as lojas continuem relevantes – e, portanto, escolha consciente dos consumidores – elas devem conciliar duas características: baixo atrito e experiência.
As lojas precisam remover os obstáculos que separam o cliente da compra e que envolvem facilidade em chegar, parar, entrar, entender, encontrar, comparar, informar-se, pagar, sair e trocar. A tecnologia permite aumentar produtividade, melhorar fluidez de processos e municiar equipes de lojas com mais informação e ferramentas para reduzir atrito para os clientes. Adoção de ferramentas móveis para acesso a dados de clientes, informações de produtos e estoques, consulta de “prateleira infinita”, processamento de vendas e trocas e captura de meios de pagamentos removem atrito.
De outro lado, é preciso elevar o grau de experiência das lojas, o que passa por edição de sortimento, execução de produtos e visual merchandising, customização, experimentação, integração ao mundo digital e envolvimento humano.
A Nike inaugurou no final de 2016 sua mais nova loja conceito em NY, que reúne a nova visão de experiência de varejo da marca. Os caixas foram eliminados, vendedores recebem chamados de clientes, acessam estoque e processam compras (inclusive para entrega ou para retirada em outra loja) em smartphones. Os diversos elementos de interatividade e experiência da loja gravitam em torno do aplicativo Nike+. A loja dispõe de serviço de concierge pessoal (agendado pelo aplicativo), teste e experimentação de produtos (para usuários do aplicativo), experiências com realidade aumentada. Além disso, o modelo de gestão valoriza e incentiva a loja a integrar opções de compra via aplicativo, retirada de produtos em lojas, recebimento de compras digitais. Há um lounge com provadores maiores e mais confortáveis exclusivos para as mulheres.
Já a Amazon voltou a surpreender e desafiar o varejo no final de 2016, ao inaugurar em Seattle uma loja de proximidade (minimercado) que se caracteriza como um supermercado sem atrito. Nela, os clientes são identificados pelo aplicativo ao entrar, pegam livremente os produtos disponíveis (que são automaticamente adicionados a seu carrinho de compras) e saem da loja tendo o pagamento debitado pelo aplicativo. Foram combinadas tecnologias de reconhecimento de imagem, inteligência artificial, fusão sensorial, máquinas inteligentes e interação com aplicativo. O projeto é piloto restrito a funcionários e será aberto ao público em abril de 2017.

5) Transformação digital

– trata-se do tema dominante para o varejo. O impacto do mundo digital representa o maior desafio estratégico para as organizações de varejo nos mais diversos segmentos e mercados. Para enfrentar o processo, as empresas precisam fazê-lo a partir do cliente. Consumidores não se relacionam ou compram de canais, mas de marcas.
A transformação digital pressupõe fundamentos (arquitetura de sistemas e infraestrutura) que permitam visualizar o fluxo de produtos e os clientes nos diversos canais. Sua execução se materializa pelo desenvolvimento de cultura digital. A transformação digital é acima de tudo transformação organizacional Ae a empresa não envolver e engajar as pessoas, repensando governança, modelo de gestão e desenho organizacional, o processo não evoluirá.
As empresas de varejo também precisam repensar seus modelos de negócio, o que significa definir o cliente; a capacidade da empresa em gerar valor para ele; seu negócio; e as formas de geração de receita e resultados. O Westfield, um dos principais grupos empreendedores de shopping centers no mundo, abraçou há cerca de três anos profundo processo de transformação digital e revisão de modelo de negócios. A empresa implantou lab de inovação, redesenhou sua arquitetura de sistemas, implantou iniciativas como aplicativos, compra online para retirada no shopping, acesso a estoques de lojas, controle digital de estacionamento e ativação de clientes. De outro lado, passou a desenvolver novas fontes de receitas, ligadas a eventos, locações temporárias, mídia e prestação de serviços envolvendo inteligência analítica e iniciativas digitais.

6) Cultura e engajamento

– o varejo continuará sendo um negócio de gente para gente. Consumidores buscam crescentemente transparência e identificação com valores e princípios em suas escolhas de marcas, produtos e lojas. A sustentabilidade dos negócios dependerá de engajamento de pessoas. O ponto de partida é o propósito, razão de existir do negócio; ele se apoia em princípios, valores e causas; exemplo e liderança inspiradora moldam cultura, que permite engajar colaboradores que engajarão clientes. As empresas de varejo precisam comunicar de forma mais transparente e explícita seu propósito, valores, causas e compartilhar sua cultura, pois isto permite criar identificação e conexão com consumidores e partes interessadas.
Globalização, novas tecnologias, explosão de dados e mundo digital, são fatores de incerteza e instabilidade para empresas e negócios. Empresas com cultura forte e pessoas engajadas terão condições de adaptar-se e reinventar-se mantendo seus negócios relevantes e lucrativos.
 
* Alberto Serrentino é fundador da Varese Retail e autor do livro Varejo e Brasil: Reflexões Estratégicas. Eduardo Terra é sócio-diretor da BTR Educação e Consultoria e presidente da SBVC – Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. Ambos são colaboradores e escrevem regularmente para O Negócio do Varejo.
 
Fonte: O negócio do varejo

Como o Taco Bell se preparou para uma forte expansão no Brasil

O Taco Bell mal chegou ao Brasil e já está se expandindo rapidamente. Com 8 restaurantes, o país foi o que mais abriu lojas em todo o mundo no último semestre. Até julho, a previsão é de abrir um restaurante novo a cada duas semanas em São Paulo.
 
Quando inaugurou sua primeira loja, o plano do Taco Bell era chegar a 25 unidades até 2019. No entanto, esta marca será atingida ainda em 2017. No ritmo atual, a empresa chegará a 35 lojas em 2018 e 50 em 2019.
A empresa chegou ao país a partir de um acordo com a Sforza, gestora do empresário Carlos Wizard Martins, que atuará como franqueada.
Inicialmente, a expansão será apenas no estado de São Paulo. A ideia é fortalecer a empresa e sua estrutura logística antes de ir a outras regiões. Também não está no planejamento de médio prazo a abertura para franqueados, já que a empresa ainda não teria estrutura para dar suporte em diversos estados.
Para conseguir crescer tão rapidamente, foi necessário um trabalho intenso de busca de fornecedores. A rede norte-americana exigiu visitar e certificar todos os fornecedores. Em menos de um ano, a empresa correu contra o relógio para encontrar os parceiros ideais.
Todos os produtos são comprados de fornecedores brasileiros, com exceção de uma especiaria específica. Até o avocado, uma fruta menor e menos calórica que o abacate, é produzido por aqui.
“Se nós fôssemos importar nossas matérias-primas, o negócio seria inviável”, afirmou Michel Chaim, gerente geral do Taco Bell no país.
O produto mais recente a ser nacionalizado é a linha de produção, item mais caro em uma cozinha do Taco Bell. A mesa onde os tacos e burritos são montados era importada no início da operação, mas já é produzida no Brasil.

Executivos montaram tacos

A empresa começou no Brasil com apenas seis funcionários além de Chaim.  Eles foram aos Estados Unidos e passaram dois meses trabalhando em restaurantes, montando burritos e tacos.
Um ano depois, já são 250 funcionários, mas todos continuam experimentando a rotina do balcão de atendimento.
A rede recomenda que todos os funcionários das áreas executivas visitem pelo menos um restaurante por semana, para não se distanciar demais dos clientes, diz Chaim.

Gosto mexicano e americano

O Taco Bell foi criada em 1954 na Califórnia, Estados Unidos. Cerca de cem anos antes da fundação da rede, o estado fazia parte do México, bem como Nevada e Utah e outros territórios. Por isso, a cultura mexicana ainda é muito forte nesta e em outras regiões dos Estados Unidos.
No entanto, no Brasil esta cultura não é tão viva. “Nos últimos anos ela ressurgiu e vimos o sucesso das paletas mexicanas, mas ainda não está tão presente”, afirmou Chaim.
Mesmo assim, ele acredita que a rede terá êxito por aqui. “A base da comida mexicana é arroz, feijão, proteína e salada, bem semelhante aos pratos brasileiros”, diz ele.
Além disso, a rede Taco Bell, no Brasil, tem gosto americano, afirma o diretor. Para ele, muitos desejam comer na rede porque a conheceram em viagens aos Estados Unidos ou em filmes e seriados americanos. “A cultura norte-americana é aspiracional. As pessoas vão atrás dessas experiências”, afirmou.
O cardápio foi modificado para atender aos clientes brasileiros. A pimenta, por exemplo, é mais branda e o menu ganhou as opções de batata frita e cerveja. Além disso, alguns dos lançamentos futuros também serão desenvolvidos por aqui, como uma sobremesa com queijo e goiabada.

Crise? Não para o Taco Bell

Perguntado se a crise não atrapalhou a chegada da rede ao Brasil, Chaim responde que ocorreu justamente o contrário. Por conta da crise, os preços no setor imobiliário caíram e a rede conseguiu pontos que antes seriam impossíveis.
“Também não teríamos chegado a praças de alimentação em shoppings, que têm os aluguéis mais caros, pagando os preços de antes da crise”, disse ele.
Cerca de 500 pessoas visitam cada restaurante por dia, de acordo com a empresa.
Fonte: Exame Notícias

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Aquisições e fusões disparam no setor de varejo em 2016

Após dois anos em queda, as aquisições e fusões de empresas do setor de varejo registraram um aumento em 2016.

Segundo dados da KPMG, comparado a uma média de 18,5 aquisições em 2015 e 2014, as empresas registraram 27 aquisições no último ano.

Para o diretor de finanças da consultoria, Luis Augusto Motta, o resultado demonstra que um número crescente de companhias está otimista no longo prazo.

"Aquisições que haviam sido postergadas e cujas negociações demoraram para acontecer finalmente deslancharam", diz o consultor.

"Em um primeiro momento de queda de PIB, os vendedores ainda queriam receber valores semelhantes ao da época em que a economia ia bem. Depois de um tempo, eles vendem, pois precisa", explica.

Já Fábio Pina, da FecomercioSP, diz que com a retomada da economia em 2017 haverá um novo aumento de operações.

"Negócios nessa situação precisam dar uma resposta para a crise deles, e muitas vezes é a venda".

Segundo informações da Folha de S.Paulo, os setores que mais registraram aquisições e fusões, em 2016, são os de drogarias e vestuário.
 
Fonte: Notícias ao Minuto

A irmã caçula da Riachuelo

Empreendedores da família fundadora da Riachuelo investem em marca de sapatos masculinos e iniciam expansão com franquias. Conheça a loja.
(esq à direita): Thiago Oliveira, Diogo Oliveira e Pablo Oliveira: aposta em modelos descolados para crescer
(esq à direita): Thiago Oliveira, Diogo Oliveira e Pablo Oliveira: aposta em modelos descolados para crescer.
Em um escritório pequeno no centro de Natal (RN), pares de sapatos empilhados dividem espaço com computadores, papeis e um desejo enorme de fazer um negócio ficar grande. Tão grande quanto a Riachuelo, da empresa Guararapes, onde os irmãos Diogo Oliveira, de 34 anos, Pablo Oliveira, de 40 anos, e Thiago Oliveira, de 37 anos, se “formaram” em varejo. Sobrinhos do atual presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, e netos de um dos fundadores da companhia, os irmãos deixaram a empresa da família para criar a própria.
Há 11 anos, ao mesmo tempo em que atuavam na gigante do varejo de moda, eles criaram a Lojas Viggo, marca de sapatos masculinos. O nome, como explicam os empreendedores, vem mesmo da palavra vigor. “A ideia é transmitir o entusiasmo da marca e inovação”, explica Diogo, diretor de Marketing e Expansão da Viggo.
 
A ideia de criar a empresa veio do incomodo comum a todos os empreendedores, de criar algo de valor. A decisão pelo mercado de atuação veio quase que naturalmente. Thiago, diretor Financeiro e de Produtos da Viggo, começou na Riachuelo justamente na área de calçados, que se tornou a paixão do empreendedor. Na empresa, atuou como gerente de Produto, e aprendeu a lidar com toda a cadeia de criação de uma linha de calçados – dos fornecedores ao ponto de venda.
 
O conhecimento dele sobre o produto se alinhou ao conhecimento operacional e comercial de Pablo e à experiência de comunicação de Diogo.
A aposta dos irmãos era suprir uma carência do mercado local – que, mais tarde, se revelou uma carência nacional: oferta de sapatos masculinos que fogem da palheta tradicional do preto e marrom. Com cores, materiais e desenhos diversos, a marca queria chamar a atenção pela diversidade. Não demorou muito para o mix crescer: além dos sapatos, há cintos, pastas, carteiras, bolsas e acessórios em geral. Hoje, a empresa trabalha com cerca de 200 skus.
 
Além disso, assim como aprenderam na Riachuelo, queriam tangibilizar a inovação dos produtos na experiência de loja. “Queremos que o cliente tenha uma experiência na loja, onde ele não é pressionado para escolher aquilo que ele está procurando”, afirma Diogo. O investimento é em treinamento. “Nossos vendedores sabem o que estão vendendo e conhecem bem o produto”, diz.
 
Fonte: Portal no Varejo