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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Empreendedores de áreas e estilos diferentes falam sobre as estratégias para ter sucesso

A NRF uniu dois executivos com estilos bem diferentes no painel “Fundadores em destaque: jornadas empreendedoras em inovação e comércio”, com a presença de Tim Brown, co-fundador da Allbirds, e Michael Rubin, fundador e presidente executivo da Fanatics?. O mediador foi Jason Del Rey, editor sênior do site de notícias de tecnologia Recode.
Brown é ex-jogador de futebol da Nova Zelândia e falou da jornada em direção à criação de um sapato simples e confortável usando recursos sustentáveis. Ele abriu em 2016 a Allbirds, marca de calçados feitos de materiais como lã de carneiros da raça Merino, óleo de mamona, garrafas recicladas, fibras de árvores e cana-de-açúcar. A empresa, com sede em São Francisco, foi avaliada recentemente em US$ 1,4 bilhão e abriu três lojas em São Francisco, Nova Iorque e Londres.
Del Rey ponderou que um parente de quase 80 anos estava usando um par de Allbirds durante as férias. Ele perguntou a Brown sobre o impacto de outras pessoas que não são jovens modernos usarem os sapatos. O fundador da marca respondeu: “Estamos fazendo uma festa e todos estão convidados. Nós não criamos isso apenas para um pequeno grupo de pessoas.” Os jovens criativos que descobriram a marca agora estão presenteando seus pais com os sapatos, contou. Ele afirma que “isso é ótimo e que por causa do que a marca representa, tem apelo”.
Del Rey também perguntou sobre a resposta rápida dos copiadores, especialmente porque a Allbirds não ostenta logotipos óbvios. Brown ficou impressionado com a rapidez com que isso aconteceu, mas entende que ele está em um espaço competitivo e precisa manter as inovações chegando. Mas o executivo também afirma que deseja que as pessoas copiem os padrões da empresa e não apenas o visual dos sapatos. Os calçados dos concorrentes podem parecer semelhantes, “mas a qualidade dessa experiência está a quilômetros de distância do que conseguimos”, disse ele. Isso acontece não apenas porque os calçados são feitos com a melhor lã, normalmente usada na fabricação de ternos italianos, mas também porque o foco é fazer as coisas de forma correta. Nos primeiros 14 meses, havia apenas um design de sapato, o icônico tênis Wool Runner.
“Fizemos algo como 27 mudanças no produto com base no feedback do cliente. Isso está evoluindo, se movendo, melhorando com base nas pessoas que a usam”, afirmou Brown. De acordo com o executivo, o processo tem sido mais parecido com fazer atualizações de um software do que com um relançamento tradicional de produto. “E ainda estamos apenas descobrindo uma maneira para fazer sapatos de classe mundial”, disse.
A empresa também está se concentrando fortemente em conseguir a mão-de-obra certa. Essa é uma razão pela qual existem apenas três locais físicos até agora. A Allbirds foi fundada em um modelo de venda direta ao consumidor, mas as lojas desempenham um papel importante na estratégia de crescimento da empresa. “Acho que todo mundo tem algum tipo de lembrança de infância de ir à loja de sapatos local e ser cativado por algum personagem, com coisas de metal grandes que ninguém sabe o nome. As pessoas querem experimentar sapatos”, explicou. As lojas também ajudam a criar uma conexão profunda com o cliente e promovem uma maior compreensão da marca.
“Há muitas coisas que poderíamos estar fazendo melhor. Mas tentamos aprender rapidamente e fazer algumas coisas muito, muito bem”, disse Brown.
Rubin explicou o que é o “v-commerce”, conceito que ele criou. Trata-se de uma estratégia de comércio eletrônico vertical que ajudou a Fanatics a crescer, a partir de uma spinoff de US$ 250 milhões do eBay, em 2011, para ser hoje uma líder global em mercadorias esportivas licenciadas que valem entre US$ 2,7 e US$ 2,8 bilhões hoje. A Fanatics não apenas realiza licenciamento com grandes ligas esportivas profissionais, grandes marcas de mídia e equipes universitárias e profissionais; mas também tem suas próprias marcas, além de nomes como Nike, Under Armour e Adidas. Não apenas isso, fabricação e logística também são parte do negócio.
Rubin, que também é co-proprietário do Philadelphia 76ers, é conhecido por fazer acordos de longo prazo sem precedentes com ligas e equipes. A equipe média com a qual a empresa trabalha tem um acordo válido até “a década de 2030”.
A empresa de Rubin, a Kynetic, é proprietária da Rue Gilt Groupe, além da ShopRunner; todas voltadas para o mobile e orientadas pelos dados. Ele contou que a Fanatics acabou de fazer uma “grande parceria com um grande mercado global” que será anunciado publicamente em breve. Rubin espera ser um grande vendedor em muitos mercados.
O que acontece em Nova Iorque não fica em Nova Iorque!
Fonte: Mercado & Consumo

Supermercados norte-americanos estreiam zeladores autônomos

Seguindo o movimento do Walmart, redes implantam robôs que farão a limpeza de mais de 170 lojas. Equipamento funciona como um supervisor, que avisa onde há sujeira.

Marty, robô desenvolvido pela Badger Technologies / Foto: AP

Um robô está ajudando funcionários de supermercados norte-americanos a manter todos os ambientes das lojas limpos. “Marty”, como foi apelidado, limpa e avisa quando “vê” grãos espalhados pelas prateleiras, molhos que vazaram da embalagem ou frutas jogadas no chão.
Já são 25 robôs do tipo operando em supermercados das redes Giant, Martin’s e Stop & Shop, controladas pela Ahold Delhaize. Os robôs são equipados com sensores para identificar a presença de clientes com carrinhos e oito câmeras, algumas apontam para o chão, outras para as prateleiras. Os olhos não têm função alguma a não ser dar um “rosto” amigável ao robô . Tim Rowland, CEO da Badger Technologies, empresa que desenvolveu o modelo, disse que ele ainda pode ser reprogramado para ajudar no monitoramento de estoque.




Apesar de circular livremente pela loja, o robô ainda tem algumas limitações. O equipamento precisa de supervisão humana, feita através de uma central de monitoramento, e não consegue limpar alguns tipos de sujeito. Neste último caso, a máquina aciona um funcionário e fica parada em frente ao local sujo.
Além dos 25 robôs que já estão em operação, as três redes de supermercado ainda vão receber 30 máquinas do modelo por semana. Todas as lojas da Giant receberão os robôs até a metade deste ano. A rede possui 172 lojas.

Mais robôs

Ver robôs limpando as lojas será um hábito para os consumidores nos Estados Unidos em 2019. No ano passado, em parceria com uma startup, o Walmart anunciou que usaria 360 zeladores autônomos. Os robôs começam a operar até o dia 31 deste mês.
Robô da Brain Corp, que vai operar em lojas do Walmart nos EUA / Crédito: Divulgação
Além dos zeladores autônomos, a marca já fez testes com robôs para digitalizar os itens das prateleiras e transportar produtos do estoque para pedidos online.
O movimento, porém, vem incomodando o sindicato que representa trabalhadores da Giant e da Stop & Shop. Em um comunicado enviado a Associated Press, o presidente da entidade disse que “a expansão agressiva da automação em supermercados e varejo em geral é uma ameaça direta a milhões de trabalhadores norte-americanos que alimentam a indústria e os consumidores a quem ela serve”.
Fonte: Portal no Varejo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Criatividade e tecnologia ainda vão render muito ao varejo

Pop up stores inovadoras e dados que otimizam a operação ou incrementam as vendas são exemplos de como varejistas podem fazer da necessidade de se reinventar constantemente uma oportunidade e não um problema.

98% dos consumidores sentem-se mais dispostos a comprar após participar de alguma ativação de marketing de uma marca, aponta levantamento feito em conjunto pela Squire Patton Boggs, EMI & Mosaic e Global Data. De fato, 70% deles se tornam consumidores frequentes após uma ação. Ainda assim, um bom retorno. Esse dado serve de argumento para Melissa Gonzalez, arquiteta no Liontesque Group, especialistas em ativação de marcas, mostrar o potencial de ações como uma pop-up store.
As pop-up stores são apontadas como tendência no marketing varejista e alguns cases são exemplos dos resultados positivos que a iniciativa pode render. Um deles é o da Odè a La Rose, floricultura norte-americana que apostou em um ponto que foca em sentidos como visão, olfato e tato para impulsionar a venda de rosas para além das motivações românticas. Como resultado, em uma semana, foram 20% a mais de conversão de vendas, 5 mil likes a mais que a média semanal nas redes, e 50 mil impressões positivas extras.
“Hoje os consumidores valorizam muito mais as experiências que acompanham a compra, o que significa que os varejistas devem trazem a ‘indústria da experiência’ para seus estabelecimentos”, disse Melissa em sua apresentação na The Everywhere Store, evento promovido pela Tlantic para debate e troca de ideias sobre os temas e tendências do varejo, que acontece durante a NRF 2019 em Nova York.
Na pop-up store da marca de cosméticos nova-iorquina Sally Hansen, uma tecnologia de inteligência artificial indicava a melhor cor de esmalte baseada no tom de pele – mesmo que a cor ainda não exista – e, por meio de realidade aumentada, era possível ver no app da marca como ficaria o resultado final caso a consumidora optasse por pintar as unhas com a cor sugerida. Era possível testar várias opções. Pra melhorar, com uso de machine learning, essas indicações ficavam ainda mais assertivas. O app da marca registrou 50 mil downloads no período, com uma taxa de conversão de 85%. Foram apenas três dias de loja temporária, mas atraiu mais de 2.500 consumidores e gerou 19,6 milhões de impressões online.
Assertividade usando inteligência artificial não é exatamente uma novidade. E a solução apresentada pela espanhola Nextail reforça que é uma tecnologia que cada vez mais vai dominar a gestão varejista para otimizar a operação.
Especialista em varejo de moda, um setor com ciclos bastante marcados e dinâmicos, a Nextail atua prevendo esses ciclos, as tendências de estilos e cores e até mesmo a demanda por tamanhos. Com isso, consegue um controle de estoque adequado para cada loja, evitando ruptura ou sobras, ambas situações que significam venda não feita.
“Avaliamos milhões de cenários em relação à transferência de itens entre estoques e canais de venda até mesmo para saber se compensa o custo logístico para transferir peças e o potencial de vendas desse estoque”, explica Inês Governo, da Nextail. Toda a gestão é feita por aplicativo e reduziu o tempo de inventário de dias para horas, com possibilidade de ser aplicado em escala global.
Danilo Nascimento, sócio da Propz, empresa especializada em inteligência analítica e big data, apresentou a importância de um CRM como um elemento chave para transformação digital com o case da rede de postos Ipiranga. Com o desafio de trabalhar com um produto que não responde à estímulo para aumento de consumo – uma vez que ninguém abastece o carro se não for necessário – e que tem o preço regulado, conseguiram, ao personalizar toda a jornada do consumidor, integrando dados de apps, um aumento de 7,8% de venda de combustível consistentemente em 26 dias de operação. “A personalização aliada à ativação automatizada, utilizando o momento ideal para cada cliente, gerou um incremento na taxa de compra consistente durante todos os dias de ação”, contou Danilo, ressaltando que o modelo é preditivo, automatizado e escalável.
A executiva da Nextail, Inês Governo, deixa como recado para varejistas uma publicação da revista Harvard Business Review: ao longo da próxima década, IA não irá substituir gestores, mas gestores que não fazem uso de IA serão substituídos por aqueles que fazem.
Fonte: Portal no Varejo

Expectativa x Realidade: o consumidor quer a experiência que você oferece?

Pesquisa da Oracle NetSuite mostrou descompasso entre varejistas e consumidores quando o assunto é a experiência de compra.

Um levantamento feito pela Oracle NetSuite, em parceria com duas consultorias, mostrou que varejistas norte-americanos, australianos e britânicos estão distantes da expectativa dos consumidores. A pesquisa mostrou que 95% dos consumidores não querem conversar com robôs enquanto fazem compras em lojas físicas ou em um e-commerce, atividade apontada como tendência.
O estudo foi feito com 1.200 consumidores e 400 executivos de varejo. Algumas conclusões chamam atenção:
  • 73% dos executivos de varejo acreditam que o ambiente nas lojas se tornou mais convidativo nos últimos 5 anos. Apenas 45% dos consumidores concordam, com 19% afirmando que se tornou menos convidativa;

  • 80% dos executivos acreditam que os consumidores se sentiriam melhor se a equipe da loja interagisse mais com eles. Menos da metade (46%) dos consumidores concorda, com 28% dizendo que sentiriam mais incomodados;

  • 79% dos executivos de varejo acreditam que os chatbots estão atendendo às necessidades dos consumidores. Dois terços dos consumidores (66%) discordam, com os entrevistados observando que os chatbots são atualmente mais prejudiciais à experiência de compra do que úteis;

  • Quase todos (98%) executivos acreditam que envolver-se com os clientes nas mídias sociais é importante para construir relacionamentos mais fortes com eles. Apenas 12% dos consumidores acham que tem um impacto significativo na maneira como pensam ou sentem sobre uma marca.

Quando o assunto é personalização, 42% afirmam que pagariam mais por uma experiência única. Dos millenials (1985 – 1999) entrevistados, 63% disseram estar dispostos a pagarem mais por personalização. Porém, apenas 11% dos executivos de varejo acreditam que sua equipe possui ferramentas e informações necessárias para fornecer uma experiência personalizada aos consumidores.

A pesquisa ainda mostrou que 80% dos consumidores não sentem que recebem uma experiência de compra personalizada, tanto na loja quanto no online. Além disso, mais da metade (58%) se sente desconfortável com o modo como as lojas usam a tecnologia para melhorar a personalização em sua experiência de compra e quase metade (45%) relatou emoções negativas ao receber ofertas personalizadas.
Fonte: Portal no Varejo

Scott Galloway faz previsões para o varejo em 2019 durante o NRF Retail’s Big Show

Scott Galloway, fundador da L2, hoje chamada Gartner L2 fez a palestra “Além do burburinho: Estado do varejo 2019”, durante a NRF Retail’s Big Show, sobre o cenário do varejo em 2019. Ele é conhecido por ser um grande orador e por ter feito previsões precisas, como a aquisição do Whole Foods pela Amazon pouco antes do anúncio. Galloway faz análises e avaliações dos mercados de tecnologia e varejo, utilizando dados.
“Ele é um grande crítico do domínio que tem de um lado a Amazon e de outro lado o Google. A primeira com seu domínio sobre o comércio e o Google sobre as informações”, comentou Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&Malls, que assistiu a apresentação do executivo.
Galloway fez algumas previsões e disse que a postura das empresas será cada vez mais importante para definir se terão sucesso ou não. “Ele disse acreditar que cada vez mais as marcas que vão ter sucesso serão aquelas capazes de ter uma postura ética”, esclareceu Marinho.
O executivo também destacou a importância dos programas de fidelidade para garantir o que ele chamou de ‘monogamia do consumidor’ ou consumo mais fiel.
“Ele previu que o grande negócio nos próximos anos será a área de saúde e se arriscou, acha que o próximo grande player de saúde no mercado será justamente a Amazon”, disse Marinho.

Fonte: Mercado & Consumo

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Diretor da Chobani mostra como empresas engajadas atraem os consumidores

A Chobani, marca de iogurtes com forte ação social, foi um dos destaques da NRF Retail’s Big Show. Peter McGuinness, diretor comercial e de marketing da Chobani, realizou a palestra “Espírito e alma: como a autenticidade e o propósito podem gerar afinidade e impulsionar a demanda”, onde apresentou algumas das iniciativas da companhia.
Cristina Souza, diretora executiva da GS& Libbra, acompanhou a palestra e aprovou. “A grande história dessa marca, da Chobani, é trabalhar com a verdade, eles dizem que trabalham com ingredientes verdadeiros e se comunicam de uma forma muito aberta com os seus clientes, com seus consumidores. É dessa forma que eles conquistam, que eles apaixonam as pessoas em relação à sua marca “, explicou Cristina.


A empresa foi criada pelo imigrante da Turquia Hamdi Ulukaya, que percebeu a demanda por um iogurte de boa qualidade, passou por dificuldades e desejava ajudar outras pessoas. A companhia realiza os mais diversos tipos de ações sociais, como ajudar empresas pequenas de alimentos a se desenvolver, por meio de uma pequena incubadora; possui a Fundação Chobani, que ajuda crianças a ter acesso a alimentos frescos e saudáveis, auxilia estudantes que fazem cursos da área agrícola e desejam trabalhar em fazendas, entrega suprimentos para populações afetadas por desastres naturais como furacões; realiza ações de cuidado ambiental e bem-estar animal na produção de suas matérias primas; incentiva à adoção de hábitos saudáveis, entre outras.
“Uma das atitudes mais legais que eles fizeram nos últimos tempos foi que lançaram um iogurte que é distribuído em todo os Estados Unidos, por todos os estados do país, onde eles revertem o lucro deste produto para as famílias dos militares. Isso não tem preço. Eles mostraram essa história através de vídeo e foi, mais uma vez, sensacional. Sou fã da marca, recomendo!”, disse Cristina.

Fonte: Mercado & Consumo

CHILLI BEANS VOLTA PARA AS MÃOS DE CAITO MAIA

Para bancar a sua banda de rock na década de 90, o paulistano Caito Maia ganhava dinheiro lavando pratos, trabalhando como garçom e com a venda de óculos comprados nos Estados Unidos. O esforço até garantiu ao grupo Las Ticas Tienen Fuego uma indicação para um prêmio da MTV, mas a banda não deslanchou. E foi a partir daí que o bico se tornou um negócio para Caito. Em 1998, inspirado na sua especiaria favorita, a pimenta, ele abriu a primeira unidade da Chilli Beans em São Paulo. Duas décadas depois, a varejista se tornou a principal grife de óculos de sol do Brasil, com um faturamento gordo de R$ 650 milhões.

Esse crescimento vitorioso, no entanto, veio com a ajuda do fundo Gávea, criado pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que comprou 29,8% da empresa em 2012. Essa união de forças, responsável por dobrar a receita e o número de lojas nos últimos seis anos, chegou ao fim em dezembro do ano passado e tornou Caito Maia o único dono da companhia. Agora, a Chilli Beans se prepara para uma nova fase.

ÓCULOS DE GRAU O fim da sociedade foi contratual e cinco outros fundos estavam interessados na fatia do Gávea. Procurado, Armínio não quis comentar o assunto, mas uma fonte que esteve presente nas negociações relatou que a transação foi muito amigável e “especial”. Entre os especialistas do setor, é consenso de que a recompra feita por Maia será positiva para a marca.

E esse já é, aliás, o plano traçado por Maia. O empresário diz que a ideia a partir de agora é ganhar espaço com os óculos de grau. Ainda sem nome definido, a Chilli Beans vai lançar uma marca subsidiária especializada em ótica até abril deste ano. O plano é abrir 200 pontos de lojas nos próximos 4 anos. “Eu quero continuar aquilo que eu aprendi fazer”, diz o empresário.


Expansão: com a abertura de 350 novas lojas, a grife pretender alcançar o primeiro bilhão até 2022.

A aposta de Caito faz sentido. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Ópticas (Abióptica), o mercado de óculos de grau é o nicho com o maior potencial de crescimento no país. Até novembro de 2018, o segmento de lentes de correção faturou R$ 3,6 bilhões no Brasil, um crescimento de aproximadamente 60% em dez anos. Segundo Bento Alcoforado, presidente da Associação, essa tendência é reflexo dos problemas causados pela exposição à luminosidade e pela mudança no comportamento do consumidor. “Os óculos se tornaram um acessório e também uma opção para presente”, diz. Mas para Alcoforado, a Chilli Beans ainda terá alguns desafios pela frente se quiser competir por essa fatia do mercado. “Eles precisam investir na capacitação da equipe, na instrumentalização dos pontos de venda e nos laboratórios de confecção”, afirma.

A jornada não parece ser motivo de preocupação para Caito. Há quatro anos, quando a empresa começou a comercializar armações com lentes de grau, as vendas do produto eram 7,8% do faturamento total. Hoje esse número representa 18% da receita. A chave para o sucesso? A adaptação ao poder de consumo do brasileiro, diz Maia. “Nós trabalhamos com um mix de produto bem variado e que também é adaptado ao que o consumidor pode pagar”, diz.

A estratégia tem funcionado. Dados mais recentes da Euromonitor, referentes a 2017, mostram que a marca tem mais de 22% de participação no mercado brasileiro de óculos de sol, contra 39,7% da primeira colocada, a italiana Luxottica. “Ainda assim, a Chilli Beans mantém seu título de mais importante player local dentro da categoria, com frequentes novas coleções e presença nas principais cidades brasileiras”, afirma Guilherme Machado, analista sênior da Euromonitor Internacional. A consultoria projeta que a empresa de Caito deve faturar 5% a mais até 2023. E para continuar crescendo, a Chilli Beans vai intensificar a expansão da marca. A fabricante tem hoje 795 unidades no Brasil e 45 no mercado internacional, mas pretende atingir 1,2 mil lojas e chegar ao primeiro bilhão até 2022. Resta saber se com 100% da companhia nas mãos, Caito Maia vai conseguir implementar sua visão estratégica.



Fonte: IstoÉ Dinheiro