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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

DEMANDA REPRIMIDA DEVE AQUECER O MERCADO PÓS-PANDEMIA

Os primeiros segmentos que sentiram os efeitos da crise durante o distanciamento social devem ser os primeiros, também, a reagir durante a retomada da economia.

De uma forma ou de outra, todos os setores da economia foram afetados pela pandemia da Covid-19. Alguns, chamados “essenciais”, como supermercados e farmácias, e também o setor de material de construção até registraram crescimento nas vendas durante a crise, mas, a grande maioria amargou com enormes prejuízos. Agora, com o início da vacinação da população, vislumbramos uma luz no fim do túnel, mas não sabemos ainda, quanto tempo levará para que o mercado consiga se reorganizar.

Em dez meses de abre e fecha do comércio e de serviços e de frequentes reduções do horário de funcionamento das empresas, devido à obrigatoriedade do distanciamento social, os setores de Serviços que envolvem contato humano, como turismo, eventos, bares e restaurantes, estética e esportes, entre outros, foram os mais afetados. Somente entre março e agosto de 2020, 49,9 mil empresas de serviços turísticos fecharam as portas no Brasil, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Na esteira dos Serviços, está o comércio de produtos “supérfluos” como roupas, sapatos, acessórios e cosméticos, segmentos que precisaram se reinventar para continuar a vender, por exemplo, traje de festa, colar ou roupa de malhar, para pessoas que estavam confinadas em casa.


A boa notícia – se é que podemos chamar assim – é que, segundo especialistas, uma vez controlada a pandemia, justamente os setores que mais sofreram voltarão a lucrar com a demanda reprimida, principalmente o turismo, os eventos e os entretenimentos. As festas de casamentos, formaturas, espetáculos e as viagens de lazer que foram canceladas voltarão a acontecer, aquecendo toda a cadeia em torno desses setores, inclusive o varejo.


Mas tudo ainda são hipóteses, considerando as incertezas da duração da crise, e os impactos de oferta e demanda advindos da desaceleração econômica. Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), declarou recentemente que “os últimos anos talvez tenham sido os mais dramáticos da economia brasileira”. A mensagem dele para o varejo, é de resiliência, eficiência, produtividade e transformação, pois as empresas menos preparadas ficarão pelo caminho.

“Por outro lado, temos o privilégio de testemunhar o nascimento de um novo varejo no Brasil. Com a crise da Covid-19, as mudanças serão ainda mais impactantes”, acredita.

Novo varejo, mais “brick and click”

Os números endossam as palavras de Eduardo Terra, sobre um novo varejo no Brasil. Em março de 2020, para 42% das empresas brasileiras, as vendas pela internet representavam apenas 10% do faturamento total, conforme uma pesquisa da Boa Vista.


De lá para cá, o cenário mudou. O comércio eletrônico cresceu 47% no primeiro semestre de 2020, atingindo a maior alta nos últimos 20 anos. O número de pedidos saltou 39% em relação a 2019, chegando a R$ 90,8 milhões. Os dados são da 42ª edição do estudo Webshoppers, elaborado pela Ebit – Nielsen, em parceria com a Elo.


Os negócios que souberam – e puderam – responder rapidamente à transformação digital e passaram a operar multicanal, aproximando o mundo virtual (click) do mundo real (brick) conseguiram manter-se competitivas no mercado, recuperando as suas vendas no comércio eletrônico. Essas empresas registraram aumento de 61% no faturamento no primeiro semestre do ano passado, representando 73,1% do total das vendas online no País.


O aumento das vendas do ecommerce evidenciou a questão da logística de entrega de compras, que é uma “pedra no sapato” do varejista: fez com que os prazos de entrega ficassem maiores. Se no primeiro semestre de 2019 a média para a entrega de um produto era de 10,6 dias, no mesmo período de 2020 ela passou para 11,3 dias.


A crise impactou mais profundamente do que imaginávamos a maneira de comprar. Por exemplo, do faturamento total do comércio eletrônico nos seis primeiros meses do ano passado, 78% são varejistas de marketplace. As lojas que aderiram a essas plataformas faturaram, no período, R$ 30 bilhões.


Inadimplência

A manutenção do crédito é condição sine qua non para o desempenho do comércio varejista e, num ano em que a taxa de desemprego ultrapassou os 14% – apesar dos 142 mil postos de trabalho formais criados no período – era de se esperar que o saldo da inadimplência fosse negativo. Só que não…


Na comparação com 2019, 2020 apresentou queda de 17,3% nos registros de inadimplentes, conforme mostrou um estudo elaborado pelos Indicadores Econômicos da Boa Vista.


O pagamento do auxílio emergencial, que ajudou a manter a renda das famílias, o benefício emergencial para preservação do emprego e da renda criado pelo governo, a fim de evitar as demissões de 10 milhões de pessoas, e os estímulos às renegociações de contratos de empréstimos, com postergação das linhas de crédito foram alguns dos fatores determinantes para a redução da taxa.


O fim do auxílio emergencial e a proximidade do prazo para a quitação dos empréstimos contraídos no ano passado ou postergados fazem acender a luz vermelha no varejo, justamente no momento da retomada da economia, que deve voltar aos patamares anteriores à pandemia somente em 2022.


Os impactos econômicos da crise decorrente da pandemia e as estratégias dos grandes players do mercado varejista para enfrentá-las serão abordadas na “Semana do Varejo” da Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC), que será realizada de 02 e 04 de março, 100% online. O evento faz parte da “Agenda Retail”, iniciada em novembro de 2020 com o evento “Retail Conference”.


Participe da Semana do Varejo da ACIC, essa é a sua oportunidade de abrir a mente para o novo e mergulhar nas transformações que o varejo, hoje, exige de todos nós.


Serão palestras e workshops de alto impacto que vão mudar a sua visão de mercado. De 2 a 4 de março, online e totalmente gratuito!


Fonte: G1

“Loja de rua da Nutty Bavarian permitirá experiência maior com a marca”, diz fundadora


A primeira loja de rua da Nutty Bavarian permitirá que os consumidores tenham uma experiência maior com a marca. Essa é a expectativa da sócia-fundadora da empresa, Adriana Auriemo Migliorancia. O espaço será aberto nesta quinta-feira (25) no bairro da Vila Olímpia, na zona sul da capital paulista.

“Nosso foco sempre foram os quiosques. Ao longo dos anos, mudamos o lugar em que colocamos os quiosques e criamos outros formatos, como carrinhos e contêineres, mas a Nutty Bavarian sempre estava dentro de outro estabelecimento. Agora, vamos apostar num modelo mais tradicional”, diz a executiva em entrevista ao portal Mercado&Consumo.

A loja tem espaço para o cliente tomar café e experimentar produtos feitos com as castanhas da marca, como bolos, chocolates, pães e cookies. “Precisávamos também de uma área física maior para oferecer uma variedade maior de itens, embalagens e presentes”, complementa Adriana.

Outra vantagem é que a unidade fica no mesmo prédio em que está a sede da Nutty Bavarian. Assim, a empresa vai poder acompanhar o novo modelo de perto e fazer os ajustes necessários antes da expansão por meio de franquias, como ocorre com os outros formatos.

Por causa das medidas de distanciamento social relacionadas à pandemia de Covid-19, a inauguração não terá a festa que Adriana esperava. Mas, se a situação permitir, a comemoração será dupla daqui a um mês, no dia 25 de março, quando a empresa completará 25 anos de existência.

Menos shopping, mais store in store

Nos primeiros dez anos de vida, a Nutty Bavarian manteve quiosques apenas em shopping centers e aeroportos. Aos poucos, a marca passou a ser vista também em terminais rodoviários e dentro de outros grandes estabelecimentos comerciais, como lojas de material de construção, hipermercados e petshops.

Hoje, por causa dos custos de ocupação, o foco de crescimento da empresa está muito mais no modelo store in store do que nos shopping centers. E até em locais mais inusitados: há unidades no Parque do Ibirapuera e em ciclovias da cidade de São Paulo, por exemplo.

“O movimento nos pontos comerciais, principalmente nos shopping centers, mas também em aeroportos e estações de metrô, ainda não voltou a ser como era antes da pandemia. Além disso, vemos que as lojas de rua de outras marcas voltaram e ter movimento mais rapidamente do que as dos shoppings, porque, apesar de eles serem muito seguros, as pessoas estão evitando lugares fechados”, diz Adriana.

Na pandemia, a empresa também apostou no delivery, no e-commerce próprio e na presença em marketplaces, como Americanas.com. As tradicionais “nuts” podem ser encontradas também nas prateleiras de supermercados, farmácias e lojas de conveniência.

A ideia não é parar por aí. “Estamos começando a operar com dois novos canais. Cadastramos os primeiros colaboradores para fazer venda direta e vamos começar, no mês que vem, a operar três vending machines“, conta a executiva.

Fonte: Mercado & Consumo

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

USAFLEX: DOS SAPATOS DA VOVÓ AOS PLANOS DE IPO

Sérgio Bocayuva, ex-presidente do Mundo Verde, pretende levar a fabricante gaúcha a 1 bilhão de receita, e a bolsa, até 2023.

Sabe o “sapato da vovó”? Virou um negócio com potencial bilionário. Ao menos essa é a visão do fundo de investimentos Axxon e de seu sócio Sérgio Bocayuva, que desde 2016 comandam a fabricante e varejista gaúcha de calçados Usaflex. O foco da companhia são os chamados “sapatos de conforto”, que sempre foram conhecidos mais pela suavidade que pela beleza.

Mas Bocayuva está determinado a mostrar que há muito espaço para calçados confortáveis além do nicho “joanetes e diabetes”, que fez a fama da empresa. E tem conseguido resultados animadores nos últimos anos, mesmo com uma pandemia no caminho.


O Axxon comprou 70% da Usaflex em 2016, e desde então ampliou o faturamento de R$ 280 milhões para R$ 390 milhões e levou o resultado operacional (Ebtida) de R$ 25 milhões para R$ 58 milhões em 2019. A meta é chegar a R$ 200 milhões de Ebitda e a  R$ 1 bilhão de receita em 2023, para então abrir capital da empresa na bolsa.


É muita ambição para um produto que era patinho feio no mercado de calçados e vestuário? A covid 19 derrubou as vendas, mas, segundo Bocayuva, reforçou a premissa do investimento: as pessoas querem calçados cada vez mais confortáveis. E não só as com mais de 50 anos, que ainda representam 55% dos clientes da Usaflex. “Da Prada à Louboutin, todos os ícones de moda têm investido em calçados confortáveis. É uma tendência que veio para ficar”, diz.


Enquanto a Usaflex trilha seu caminho, a Axxon também. A gestora de recursos acaba de ser a autora de um do mais recentes IPO digital na B3, com a Westwing, a plataforma de comércio eletrônico de móveis e decoração e estilo de vida. A operação totalizou R$ 1,16 bilhão. Desse total, R$ 730 milhões foram para o bolso dos sócios — a gestora e os executivos que junto com o fundo de private equity fizeram a aquisição da operação brasileira, separando-a do grupo alemão original.

De Ipanema a Igrejinha

Bocayuva tem uma grande história de sucesso para chamar de sua, e vê semelhanças com os desafios atuais. De 2009 a 2014 ele comandou a rede de produtos saudáveis Mundo Verde, vendida ao empresário Carlos Wizard por um retorno que, segundo Bocayuva, chegou a 6,6 vezes em dólar no período de cinco anos.


Neste período, a companhia quintuplicou de tamanho e virou referência em produtos saudáveis no Brasil. De lá para cá, a Mundo Verde tem sofrido com o aumento da concorrência de outras redes e de novos competidores, como os grandes supermercadistas, que investem cada vez mais em espaços para produtos orgânicos, sem glúten, sem lactose e naturais em suas gôndolas.


O investidor vê potencial de os calçados confortáveis também passarem de um nicho restrito para a primeira opção de uma nova geração de consumidores. Também vê na Usaflex um negócio com enorme potencial de expansão via novos canais de venda e com o uso de mais inteligência  de dados para antecipar e ditar tendências de consumo.


Há outra semelhança entre os dois negócios: a distância de Ipanema, onde o executivo mora. A Mundo Verde nasceu em Petrópolis, na região serrana do Rio, e manteve o endereço durante a gestão do Axxon. A Usaflex fica em Igrejinha, cidade de 30.000 habitantes a 80 quilômetros de Porto Alegre. “É fundamental manter a sede e a essência da empresa. Eu que preciso me adaptar”, afirma. Ele costuma viajar ao Sul de segunda a quinta-feira, e passar os fins de semana na Zona Sul — do Rio.


O Axxon comprou cerca de 70% da Usaflex, e manteve como sócios a família Bunerder, antiga controladora e que hoje tem cerca de 20% do negócio, e o empresário Juersi Lauck, antigo presidente da empresa e hoje dono de 10% do negócio. Além da indicação de Bocayuva, os controladores têm hoje apenas o diretor financeiro, Mafaldo Jr. Aos poucos foram chegando do mercado executivos como Debora Pazzim e Lucas Neves, que veio da Renner para assumir a frente digital da companhia.

Banho de franquia

Apesar de pouca mudança nos nomes, os novos controladores impulsionaram a meritocracia, com um plano de remuneração agressivo, e aceleraram a expansão. Até 2016 a Usaflex tinha como principal canal de distribuição pontos de venda multimarcas ou “fidelizados” espalhados pelo Brasil. Eles continuam lá: são 7.600.


Mas a empresa agora tem 240 franquias e um e-commerce que responde por 6% do negócio. A meta é chegar a 430 franquias em 2023. Além disso, a Usaflex começou a abrir lojas licenciadas fora do país — já são 15, e a meta é chegar a 100 em três anos. Recentemente a empresa começou a vender também na Amazon, nos Estados Unidos. “Lá fora produtos confortáveis em couro são muito valorizados e têm muito espaço de crescimento”, diz Bocayuva.


Ele afirma que tem sido muito procurado por interessados em levar a Usaflex à bolsa, mas que vê mais oportunidades quando a empresa estiver maior. Para isso, seguirá investindo numa estratégia “multi-canais” — e em aquisições para ampliar a oferta de calçados. Em seu caminho vai encontrar uma concorrência crescente, com a união, por exemplo, da Arezzo com a Reserva, criando um grande grupo de moda que une produtos elegantes a outros mais despojados.


“Tenho a vantagem de me dar bem em bairros mais populares e em shoppings de elite”, diz Bocayuva. Além disso, ele afirma que como produz 90% dos itens e tem 100% dos fornecedores no Brasil, é mais eficiente em custos que seus concorrentes. Um desafio está no marketing: a empresa tem investido 20 milhões de reais ao ano para mostrar que a imagem de “sapato da vovó” ficou para trás.


Manter os clientes tradicionais, conquistar novos, competir com gigantes, impulsionar os canais de venda, e pavimentar o IPO. O calçado precisa ser confortável, já que o caminho da Usaflex é longo.


Fonte: Exame

Cliente C&A pode retirar produto comprado pela internet em loja física em até 3 horas


As compras realizadas via site ou aplicativo da C&A, com pagamento aprovado até às 17h, poderão ser retiradas em uma loja física em até três horas por meio do serviço Clique & Retire, a depender da disponibilidade do produto escolhido na unidade.

A nova modalidade está disponível em 276 unidades da marca em todos os Estados brasileiros, exceto Santa Catarina e Ceará. A expectativa da companhia é levar a facilidade para todas as lojas até o final deste ano, além de implantá-la nas inaugurações previstas para 2021.

O Clique & Retire expresso é gratuito. Durante a jornada de compra online, o cliente poderá selecionar a loja em que deseja retirar o produto. Em seguida, o consumidor receberá por e-mail o número do pedido e as demais orientações para sua retirada em loja.

Ao chegar na C&A, o consumidor deve procurar por um dos associados da marca, que irá direcioná-lo a um dos lockers do Clique & Retire ou à sessão em que o pedido está armazenado.

Outras formas de entrega rápida

Além da versão expressa do Clique & Retire, a C&A conta com mais duas modalidades do serviço: a tradicional e a Drive Thru. O Clique & Retire tradicional, disponível atualmente em todas as lojas da marca no País, oferece a possibilidade de o cliente realizar a compra online e retirá-la em loja física no dia seguinte.

Já o Clique & Retire Drive Thru, inaugurado no ano passado e hoje presente em 255 lojas da C&A localizadas em shoppings centers, é similar às demais versões, mas oferece a facilidade de o consumidor retirar a compra no estacionamento do empreendimento sem sair do carro. A versão Drive Thru é gratuita e mais rápida do que a entrega do e-commerce em domicílio, já que para compras realizadas até às 15h, a retirada pode ser agendada para o mesmo dia.

Outra opção oferecida pela C&A é a Compra Expressa via WhatsApp. Por meio desta modalidade, os consumidores que acionarem os consultores de WhatsApp da C&A durante a sua jornada de compra online podem agendar a retirada do produto em alguma loja física de sua preferência. O serviço é gratuito para compras a partir de R$ 200 e mais rápido do que a entrega tradicional do e-commerce em domicílio.

Para pedidos realizados no site ou aplicativo da marca via o consultor de WhatsApp até às 10h20, a retirada pode ser feita no mesmo dia mediante a disponibilidade do produto na loja escolhida. Ao finalizar o pedido, basta combinar o horário com o consultor e ir até a unidade. O pagamento pode ser feito diretamente com a pessoa que atendeu o cliente, sem a necessidade de pegar fila em loja.

Frete expresso para entrega em casa

Já para aqueles que desejam receber os produtos sem sair de casa, a C&A conta com o modelo de entrega tradicional com possibilidade de entrega em até dois dias úteis a depender do Estado e cidade do endereço indicado pela cliente.

Para a capital paulista e Região Metropolitana de São Paulo, a varejista oferece ainda a possibilidade de frete expresso com entrega em domicílio em até um dia. A comodidade é válida para compras via site ou aplicativo, com pagamento aprovado até as 12h por um pequeno valor adicional ao do frete normal.

O Clique & Retire em até três horas, assim como os demais serviços, são comodidades da companhia proporcionadas pela integração dos canais físico e online da C&A.

O lançamento do serviço no BBB 21 está alinhado a estratégia de patrocínio da marca junto ao reality show, que prevê fortalecer e comunicar ao público o seu posicionamento omnicanal e inovador “C&A. Muito on. Muito eu” por meio de ativações inéditas no programa da Globo.

Fonte: Mercado & Consumo

Consumo na pandemia: em números

Em texto recente, uma radiografia de consumo e renda em 2020, foi importante situar a economia e para que se pudesse ter um olhar crítico e já um pouco distante dos momentos mais agudos e de quase catatonia generalizada no Brasil – e no mundo, pode-se dizer – diante de um evento que só guarda similaridade com algo que ocorrera um século antes. É importante esse distanciamento e uma visão cautelosa e com critérios desapaixonados para que se possa começar a “prever” comportamentos de consumo, entre outros prognósticos que devem ser objeto de atenção.

Nada melhor do que alguns números que possam ilustrar melhor o que já foi escrito e dar início a uma série de prognósticos, com o necessário cuidado de se lembrar da falibilidade natural de qualquer previsão. Previsões agora são necessárias, mas se tornam ainda mais complexas diante de uma quebra de padrão nunca antes vista na economia brasileira. Como dito anteriormente, o ano de 2020 foi sui generis, e o foi em vários aspectos, fiquemos por agora com os números.

A tabela abaixo mostra uma extrapolação de números com base nas perspectivas de consumo de varejo e serviços derivadas de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com base no volume de faturamento de varejo e de serviços dirigidos às famílias (algo como R$ 2,1 trilhões e R$ 0,8 trilhão, respectivamente) e na variação nominal em cada grupo de varejo e serviços em 2020, foi confeccionada a variação de gastos das famílias. Da mesma forma, a variação da renda foi obtida com base nos dados da Pnad Contínua, também divulgada pelo IBGE.

Os dados da tabela ajudam a entender 2020 e os efeitos da pandemia sob a dimensão de decisão de consumo e de poupança. Um resumo:

  1. As famílias gastaram quase R$ 100 bilhões a menos em serviços;
  2. No varejo, em especial supermercados e materiais de construção, os gastos cresceram R$ 83 bilhões;
  3. Na aquisição de veículos, houve queda de R$ 41 bilhões em 2020;
  4. Resultado de queda de quase R$ 58 bilhões dos gastos de bens e serviços que as famílias adquiriram em 2020 em relação a 2019;
  5. A renda normal caiu mais de R$ 96 bilhões;
  6. O auxílio emergencial somou R$ 184 bilhões;
  7. A renda recebida no total cresceu quase R$ 88 bilhões, devido ao fato de o auxílio ter sido superior à perda de renda, segundo a Pnad Contínua;
  8. Em resumo, com queda de R$ 58 bilhões de consumo e elevação de R$ 87 bilhões na renda efetivamente recebida, houve uma “sobra” de R$ 145 bilhões;

Esses números, que futuramente serão esmiuçados por setores, mostram que houve um aumento de disponibilidade para as famílias bastante relevante. Claro que esse aumento não foi linear, até porque as famílias mais ricas que consomem serviços devem ter tido efetivamente uma folga no orçamento, reduzindo jantares fora de casa, lazer, viagens e cinema, entre outras atividades, e mantiveram, de forma geral, seus empregos. As famílias mais pobres também receberam mais dinheiro do que no ano anterior (o auxílio foi direcionado a essas pessoas), mas gastaram com básicos, e uma parcela, que pode ter sido poupada, servirá como colchão diante do cenário de provável aumento do desemprego.

Em uma primeira conclusão rápida e um tanto despretensiosa, é possível que as faixas de renda mais baixas, apesar de terem tido aumento de renda, mesmo que não a tenham consumido totalmente, sejam mais cautelosas, pois representam o grupo mais vulnerável ao desemprego. Esses consumidores devem mesmo se ater aos produtos básicos.

Por outro lado, ainda que também compartilhem alguns riscos e receios, as famílias mais abastadas estão com uma sobra de orçamento que pode se converter, quando possível, em consumo de serviços, em especial de lazer e atividades fora de casa, pois essa é uma demanda reprimida que pode florescer assim que o risco de contaminação for realmente mitigado.

Em especial, as viagens internas de lazer podem crescer no segundo semestre de 2021 (antes dificilmente a situação estará realmente confortável para férias e lazer) por conta do dólar. Para as viagens de negócios, ainda há poucas informações efetivas de como será o comportamento pós-pandemia diante das novas possibilidades que se abriram. De qualquer forma, esse cenário depende da vacina, que recobrará atividade econômica e a confiança.

Fabio Pina é membro da Gouvêa Inteligência Competitiva.

Fonte: Mercado & Consumo

Alpargatas tem receita recorde de R$ 1,1 bi no trimestre com Havaianas e sem online

Foram 73 milhões de havaianas vendidas de outubro a dezembro, mas só 5 milhões pela via digital.


Havaianas: vendas fortes levam Alpargatas a margem Ebitda recorde no 
quarto trimestre, de 31% no Brasil (Havaianas/Divulgação)

Alpargatas, dona das marcas Havaianas e Osklen, fez um quarto trimestre de arrebentar quarteirão. A receita líquida da empresa alcançou R$ 1,1 bilhão, com crescimento de 10,5% sobre igual período do ano passado. “É o melhor desempenho em toda a história da empresa, mesmo quando considerados os anos anteriores cheios, com as marcas que foram vendidas e a operação na Argentina [de tecidos]”, comentou Roberto Funari, em entrevista ao EXAME IN.

A companhia vem em uma desmobilização de ativos e marcas que não considera centrais desde 2018, processo que terminou ano passado com a venda da licença da Mizuno. Essas outras bandeiras respondiam por 25% da receita há dois anos atrás e uma fatia de 36%, em 2016. O quarto trimestre da pandemia, portanto, entrou para história da centenária companhia.

O desempenho contou com avanço da empresa no digital, claro, como não poderia deixar de ser no ano da pandemia. Mas, como Funari definiu, a empresa promoveu uma quebra de paradigma, com uma “ressignificação do varejo físico”. Isso ocorreu no Brasil e também na operação internacional. A operação de e-commerce da empresa ainda é bastante reduzida.

Tanto no Brasil quanto no mercado externo, a Alpargatas adotou um modelo mais versátil de operação, com o varejo dentro do varejo, ou seja, pontos de venda em locais que ficaram abertos durante a pandemia. A empresa terminou o ano com 300 mil pontos ativos, um acréscimo de 40 mil em pleno 2020. Mas, para além das mudanças relacionadas à covid, há um redesenho definitivo

Fora do país, a companhia encerrou 26 lojas próprias na comparação de dezembro de 2020 com 2019. Os destaques desse ajuste, de acordo com o presidente da empresa, foram Estados Unidos com dez lojas, Europa com cinco e Índia com sete. Daqui para frente, a presenta física fora do país será concentrada no modelo pop-up, de quiosques temporários em galerias e shoppings, e de concessão, dentro de grandes redes de departamento. E as vendas online fora do Brasil já respondem por 40% do total.

O Ebitda recorrente da operação alcançou R$ 283 milhões nos três últimos meses do ano, com margem de 25,6%. “Esse indicador também nunca se viu na companhia. Era um negócio que historicamente ficava com margens de 10% a 13%”, destaca o executivo. Se for considerado apenas o Brasil, a margem alcançou 31%.

O desempenho consolidado sofreu com a margem negativa, ou seja, consumo de recursos, gerado pela operação internacional, já que o Ebitda das vendas externas ficou negativo em R$ 15 milhões. Esse é o dado recorrente, que exclui eventos extraordinários. O motivo foi a forte queda nos volumes, que recuaram 20% em razão da pandemia.

O câmbio, entretanto, favoreceu a receita líquida externa, que teve alta superior a 12,4%, para R$ 150,5 milhões, e ajudou na composição do todo. “Quando o volume internacional normalizar, as margens serão positivas e importantes. Se excluir um efeito de reclassificação de despesa para custo, a margem bruta fora do Brasil aumentou 7%”, afirma Funari, que não se cansa de repetir — e se desculpa, por isso — sobre o desempenho que chama de "excepcional" do quarto trimestre e “de todo o segundo semestre do ano”.

No rebolado que foi 2020, o lucro líquido do quarto trimestre teve alta simbólica de 0,6% e somou R$ 203 milhões. Esse é o valor que seria recorrente. O número efetivo mesmo, o que aconteceu, sofreu impacto negativo dos custos de separação da Mizuno e do fechamento das lojas internacionais: caiu 55% e ficou em R$ 53 milhões.

Soma daqui, tira dali, a Alpargatas terminou o ano passado com uma posição financeira líquida de mais de R$ 460 milhões, comparado a quase R$ 300 milhões de 2019 — um aumento superior a 50%. Com dinheiro sobrando (mais caixa que dívida), Funari repete o discurso quando questionado sobre aquisições: expansão inorgânica está no radar, mas só quando fizer muito sentido na combinação com o posicionamento Havaianas e pode ser global.

Na rede

A Alpargatas, com a Havaianas, foi na contramão de setor de consumo e varejo e Funari sabe disso. A operação digital  com um canal próprio e global só foi organizada a partir de outubro do ano passado. A pandemia foi ultrapassada, na raça, no varejo físico.

Dos 73 milhões de pares de havaianas vendidos no quarto trimestre, só 5 milhões foram de comércio eletrônico. Mas, perguntar para Funari quanto esse canal pode representar com a consolidação do modelo, é ouvir uma resposta chinesa. Para ele, não importa mais onde o cliente compra, tem que ser onde ele quiser. O importante é que tenha tudo à disposição. A questão é que, na visão do executivo, muito em breve 100% das vendas, não importa o canal, serão influenciadas pelo mundo digital. Hoje, a estimativa é que esse percentual esteja em 70%.

O canal digital, segundo o executivo, dá uma unicidade importante e as campanhas e lançamentos podem acontecer globalmente.

De todas as 500 lojas Havaianas, apenas 110 operavam com estrutura de omnicanalidade ao fim do ano passado. Mas o plano é alcançar 100% da rede até o fim deste ano.

China

A Alpargatas elegeu, como um de seus pilares estratégicos, a expansão internacional com foco maior em Europa, Estados Unidos e China. Enquanto na Europa a presença é mais consolidada, por ser mais antiga, a China é novidade. Mas a empresa já conseguiu se destacar e terminou 2020 apenas atrás da Nike, em marcas internacionais no país, em calçados abertos. A receita anual foi de R$ 28 milhões, um aumento de quase 500% mesmo com pandemia. É pouco, a empresa sabe. Por enquanto, apenas colocou um pé por lá. Mas o ritmo planejado da passada é alto.

Em dezembro, a Havaianas contava com 10 lojas dedicadas à marca, 200 pop ups de atacado, presença em quatro market-places online, uma soma de 10 milhões de visitantes únicos e mais de 600 mil seguidores em redes sociais. Como Funari disse no último ‘investor day’ da empresa, lá “qualquer pedaço é de milhões.”

Fonte: Exame

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

PETZ VAI ABRIR MAIS DE 30 LOJAS EM 2021


Avanço das unidades, que devem estar em 26 capitais e no DF nos próximos 5 anos, é um dos pilares de expansão do grupo, afirmou Sérgio Zimerman na Live do Valor.

O diretor-presidente da Petz, Sergio Zimerman, afirmou que a empresa pretende abrir mais de 30 lojas em 2021, o que quebrará o recorde da empresa de 2020. “O que posso adiantar é que vamos abrir acima de 30 lojas em 2021. Vai ser recorde de abertura, mais do que inauguramos em 2020, que já é o recorde”, disse o executivo na Live do Valor desta quinta-feira. A empresa tem hoje cerca de 120 lojas no país.

“Temos pretensão de estar presente em 26 capitais mais Distrito Federal nos próximos cinco anos”, acrescentou o executivo, apontando o avanço das lojas como um dos pilares de expansão do grupo.

Outros pilares, segundo o executivo, são a marca veterinária Seres, que será também foco de expansão, assim como as plataformas digitais do grupo, “para que, quando o tutor pensar em qualquer coisa relacionado ao pet, ele pense na Petz”, disse.

Aquisição de startups

Zimerman afirmou que a empresa está constantemente avaliando oportunidades de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês). As maiores oportunidades estariam nas pequenas aquisições, de empresas como startups, e que teriam mais chances de acontecer ainda neste ano.

O executivo dividiu as oportunidades em três partes. A primeira é o que ele chamou de M&A mais parrudo. “Duas ou três companhias maiores que poderiam fazer sentido e que estamos sempre avaliando, e se tiver condição favorável para fazer estamos avaliando”, disse.

O segundo bloco é de redes regionais. Segundo o executivo, as aquisições regionais fariam sentido quando a Petz for entrar em algum outro estado, dentro do seu plano de expansão.

A terceira solução e que seria a mais provável são as chamadas ‘pet solutions’, ou seja, empresas menores que prestam algum serviço interessante e que valha a pena integrar – entre elas estão startups. “Esse terceiro é o que tem maior probabilidade de acontecer”, disse.


O diretor-presidente da Petz destacou que a pulverização atual do mercado pet no Brasil seria anormal. Por aqui, cerca de 50% da participação está na mão de empresas menores.

“O segundo colocado, atrás do Brasil, a Inglaterra, tem 25% de participação com pequenos”, disse o executivo. “Share de 50% no mercado brasileiro (com pequenos) é anormal em relação aos grandes mercados mundiais. O movimento de migração de share para grandes players está apenas começando”, disse.


Zimerman destacou que a empresa estuda parcerias para conseguir entrar em mercados que ele chamou de “não endereçáveis”. Esse tipo de mercado, explicou, considera diversos aspectos, como quantidade pequena de habitantes, renda disponível menor ou quantidade de pets na cidade. “Estamos avaliando como entrar nesses mercados”, disse.


O executivo defendeu que o tema está em aberto e não explicou como seriam feitas essas parcerias. Mas apontou que o modelo de franquia sempre esteve em perspectiva. Zimerman explicou que algumas cidades não sustentam o investimento de uma loja própria da Petz. “Por que eu daria para uma franquia? Até pela questão tributária, ela pode entrar pelo Simples (sistema de tributação simplificada)”, disse. Todos os estudos, entretanto, estariam em uma fase inicial.

Digital

Um dos principais focos de crescimento da Petz, o seu braço digital, deve continuar ganhando destaque no horizonte de investimentos da empresa, disse o diretor presidente da companhia.


No acumulado dos primeiros nove meses de 2020, a empresa registrou uma queda de 2,4% nos investimentos totais na comparação com igual período de 2019, para R$ 110 milhões. O executivo, entretanto, disse que a queda veio com não recorrentes e que o segmento digital não foi prejudicado – cresceu 91,4% em igual comparação. A captação de R$ 3 bilhões na oferta pública de ações (IPO) estaria inclusive ligada ao foco de crescer nessa área, assim como nas lojas. No terceiro trimestre, a receita bruta do segmento digital atingiu R$ 114,8 milhões, crescimento de 392% na comparação anual e representou 25% da receita bruta total.


Questionado se vislumbra um cenário em que essa receita chegaria perto dos 50%, disse que essa não é a meta. “O que queremos é que nosso cliente seja bem atendido em qualquer plataforma”, disse. Ele apontou ainda cenário de aceleração de investimento tanto no braço digital quanto na abertura de lojas.


O executivo destacou que não dá para desconsiderar os desafios da economia em 2021. O mercado pet, entretanto, sempre teria demonstrado resiliência durante períodos de crise. “Brinco que a grande vantagem é que cachorro não lê jornal, não sabe qual a taxa de juros ou dólar”, disse.


Zimerman disse que há uma espécie de fórmula matemática para o cliente da Petz e que supera, inclusive, questões de renda. “Você pode ser milionário, mas não gosta de pet. Agora, se tem renda baixa e trata o pet como filho, você vai consumir”, disse. O cenário, por sinal, leva o grupo a ter lojas em áreas com maior e menor poder aquisitivo.

Reformas

O diretor-presidente da Petz traçou um cenário preocupante para os desafios da economia do País no horizonte. Questionado sobre as propostas de reforma em andamento, defendeu que a prioridade não deveria ser a tributária, mas sim a administrativa. “Há motivos para termos uma dose de preocupação com a economia. Temos situação de desequilíbrio fiscal recorrente”, disse, e emendou: “Qualquer proposta de reforma tributária agora nasce equivocada. Como discutir reforça tributária com um déficit fiscal? Antes de falarmos em reforma tributária, temos de falar em reforma administrativa”, disse.


O executivo defendeu ainda uma maior formalização da economia. “Existe muita coisa informal. Há muita assimetria na carga tributária. Tem muita empresa que paga muito imposto e empresa que paga nada ou quase nada. Temos de aumentar a base de contribuinte combatendo a informalidade”, disse.


Zimerman apontou ainda a necessidade de se debater a desigualdade de renda no País e, segundo ele, a conversa sobre a reforma tributária não é apenas um assunto de empresário. “Na medida que as pessoas tiverem consciência da importância de se tirar a carga tributária do consumo e tributar mais a renda, vamos melhorar a questão da desigualdade no Brasil”, disse, afirmando que o país é o único dentro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com tributação regressiva – ou seja, quanto mais se ganha, menos imposto se paga.

Pandemia e vacinação

O diretor-presidente da Petz disse que os empresários poderiam comprar vacinas contra a covid-19 e colaborar com o processo de imunização no País. Ele ponderou temer que o movimento resulte em numa “casta de privilegiados com vacina”. Como solução, o executivo apontou a doação de doses ao governo na mesma proporção.


Questionado durante a live, Zimerman disse ver com bons olhos o movimento Unidos Pela Vacina, encabeçado pela empresária Luiza Trajano. “Super interessante, apartidário e que a iniciativa privada ajude na logística. Essas coisas melhoram quanto mais não politizada elas ficam”, disse.


A empresária chegou a ser atacada por diversas vezes nas redes sociais por supostamente estar usando a campanha para encabeçar uma eleição presidencial em 2022. Trajano, entretanto, já desmentiu tais alegações por diversas vezes.


Fonte: Valor Econômico