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quarta-feira, 28 de julho de 2021

Traje social? O impacto da pandemia na roupa de trabalho

Com o número de doses de vacinas aplicadas aumentando a cada dia, o reinado do pijama como roupa de trabalho está com os dias contados.

Traje social? O impacto da pandemia na roupa de trabalho

Não há como negar: pijamas e chinelos são, de longe, as opções mais confortáveis de roupa de trabalho para o home office, tanto que, durante a pandemia, várias marcas investiram em modelos mais arrumadinhos e até mesmo com uma pegada mais chique.

Porém, com o número de doses de vacinas aplicadas aumentando a cada dia, o retorno ao trabalho presencial está cada vez mais próximo e, com ele, a exigência do uso de traje social seguindo o código de vestimenta de cada empresa.

Para muitos profissionais, isso significa tirar do armário sapatos sociais e de salto alto, camisas de manga longa, blazers, paletós, gravatas e até mesmo a boa e velha calça jeans – tudo isso, agora acompanhado de máscara.

O que fazer para se adequar às exigências do dress code de cada empresa sem precisar terminar o dia com os pés doendo por conta do salto alto ou do sapato social? As empresas devem ser mais flexíveis neste sentido? Entenda o impacto da pandemia nas roupas de trabalho e como deve ficar a questão da vestimenta no retorno à jornada presencial.

Roupa de trabalho: o reinado inesperado do pijama

Ter roupas adequadas para o ambiente de trabalho sempre foi uma preocupação para profissionais de diversas áreas e também para as empresas, que costumam ter um dress code para definir o que pode ou não ser utilizado no ambiente corporativo.

Não sem motivo: mais do que um item de moda, a roupa é capaz de transmitir informação, credibilidade, confiança e até mesmo expressar valores como tradicionalismo, criatividade e segurança.

“O traje é importante porque representa a cultura organizacional, a maneira como a gente se porta, como trafega, caminha, como se move na organização. Não é o traje que faz a organização, mas ele é capaz de refletir o que uma empresa é. Tem a ver com cuidado, apresentação e é importante para harmonização”, explica Lupércio Aparecido Rizzo, coordenador do curso de Gestão em Recursos Humanos do Centro Universitário Senac – Santo Amaro.

Porém, com a pandemia, a roupa de trabalho enquanto item que sempre esteve na pauta das empresas sofreu mudanças bruscas e difíceis de serem controladas. O home office deu início ao reinado do pijama com chinelo como roupa de trabalho – peças que se destacaram de suas concorrentes por serem de longe as opções mais confortáveis para se trabalhar de casa, contrariando diversos especialistas que defendem que se arrumar no trabalho remoto é uma opção mais produtiva e que colabora para a saúde mental do trabalhador.

Assim como muitas empresas estão adotando modelos de trabalho híbridos ou processos que se estabeleceram durante a pandemia, seria a roupa mais um item a passar por mudanças?

Na opinião do coordenador do curso de Gestão em Recursos Humanos do Centro Universitário do Senac – Santo Amaro, não necessariamente. Isso porque, para ele, a importância do traje enquanto forma de comunicação e representação organizacional permanece a mesma.

“Traje adequado é aquele que obedece a um certo dress code. O profissional não precisa estar de terno e gravata, nem com roupa de marca, mas precisa estar bem arrumado. Seja online ou presencial, é preciso cuidado com o traje, uma vez que ele passa seriedade, comprometimento e profissionalismo. O ambiente online permite uma flexibilidade de horários e de espaço, mas não flexibilidade de comprometimento e de seriedade, e a roupa faz parte disso tudo”, defende.

A consultora de moda e personal stylist Thais Coimbra, especialista em marketing, também acredita que o reinado do pijama e do chinelo deva chegar ao fim assim que os trabalhos presenciais retornarem à ativa.

“Há muitos consultores de estilo e de comportamento afirmando que todo esse tempo em casa está nos deixando com muito mais vontade de voltarmos aos looks bem produzidos, seja para o trabalho ou a vida social. E eu acho que isso faz todo sentido: estamos há um ano e meio com quase todo o guarda-roupa parado, sem contar tudo o que foi adquirido nas incontáveis compras online (que aumentaram muito nesse período) e que não tivemos ainda a oportunidade de usarmos adequadamente”, avalia.

Com base nesta linha de pensamento, a consultora acredita que a retomada das atividades fora de casa será motivo suficiente para que muita gente deixe o estilo comfy um pouco de lado e abuse mais de produções com saltos, peças mais estruturadas, modelagens mais elegantes e tecidos mais nobres.

Mais que uma peça ou uma regra, roupa de trabalho é comunicação

Mas será mesmo necessário que as empresas continuem exigindo um dress code tão rígido quanto antes da pandemia? Lupércio Aparecido Rizzo acredita em uma possível flexibilização por parte das organizações no pós-pandemia, porém, no sentido de incentivar a diversidade dentro da empresa, característica que vem sendo valorizada por aumentar a capacidade intelectual de soluções e respostas a problemas.

“Cada vez mais a flexibilidade ganha espaço dentro das organizações e, neste sentido, o traje passa a ser um ponto considerável, mas isso não significa que a liberdade é absoluta. Alguma flexibilidade é importante porque permite que as pessoas sejam mais elas mesmas. Porém, é preciso trabalhar dentro de uma certa limitação. Você não necessariamente precisa trabalhar de terno e gravata, mas talvez uma camisa polo”, exemplifica.

O estabelecimento de um dress code, segundo o coordenador do curso de Gestão em Recursos Humanos do Centro Universitário do Senac – Santo Amaro, tem justificativa: “Quando eu apareço é a imagem da empresa que está aparecendo. Ter um cuidado com a roupa de trabalho é fundamental. Deve haver uma certa liberdade? Sim, mas uma certa liberdade”, pondera.

Sob o viés da moda, Thais Coimbra destaca que as roupas – inclusive as de trabalho – são uma importante forma de comunicação, capaz de expressar personalidade, humor, comportamento e modo de viver.

“Sai na frente quem sabe usar a moda em favor daquilo que realmente quer mostrar a seu respeito. Para as diferentes classes de profissionais isso é fundamental. Um médico, por exemplo, deve transmitir segurança; um advogado, confiabilidade; um comunicador, criatividade; um psicólogo, tranquilidade e equilíbrio. E todas essas qualidades são expressas também através das roupas. Assim, fazer escolhas de moda bem pensadas garante uma comunicação mais assertiva e a construção de uma imagem profissional bem mais sólida e coerente com cada área de atuação”, explica.

O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?

E se você faz parte do time que ama a liberdade de passar o dia de pijamas e chinelos, sentando em frente a um computador, entenda: buscar o caminho do meio pode ser a melhor alternativa.

“Eu acredito que não vão faltar opções que unam os códigos exigidos pelos ambientes de trabalho com conforto e bem-estar. Por exemplo, o linho é superconfortável e elegante. As modelagens de jeans se ampliaram para muito além do skinny. Há uma infinidade de opções de sapatos confortáveis cheios de estilo e personalidade, como as mules, os oxfords ou os saltos quadrados e grossos”, exemplifica Thais Coimbra.

Outro caminho possível apontado pela consultora de moda é mixar estilos agregando conforto e criatividade ao que é elegante ou elegância e formalidade àquilo que seria mais despojado. “Por exemplo, camisetas com blazers; saias midi com tênis; scarpins com calças de algodão; sobreposições; vestidos amplos com casacos mais pesados… Opções não faltam, o segredo é não ficar refém de tendências específicas e nem se preocupar com regras ultrapassadas”, defende.

Além disso, exercitar a criatividade na hora de se vestir é uma estratégia certeira para manter a elegância sem sofrer.

“Vamos montar dois looks imaginários: aquela camisa branca superclássica por baixo de um conjunto de moletinho (desses que caíram no gosto das pessoas durante a quarentena), um sapato estilo oxford e um lenço de seda amarrado no pescoço, na bolsa ou nos cabelos. Pronto: estilo e conforto para escritório nenhum botar defeito”, descreve.

Outra opção, descrita pela consultora de moda é a junção de mom jeans, camiseta, blazer e scarpin. “Aquele mom jeans que também virou febre nos últimos tempos, com uma T-shirt de algodão, um blazer bem estruturado e um scarpin de salto grosso. Não tem erro! O mercado da moda garante opção pra todo estilo! Basta usar a criatividade!”, reforça.

Fonte: Consumidor Moderno


Vendas do McDonald’s superam expectativas do mercado e voltam ao nível pré-pandemia

Rede de fast food revela que propagandas com o grupo sul-coreano BTS contribuíram para a recuperação.

Imagem: BigStock

Impulsionado pelo robusto crescimento das vendas em meio à recuperação da crise econômica provocada pelo coronavírus, o lucro líquido do McDonald’s no segundo trimestre de 2021 superou as expectativas do mercado, com US$ 2,22 bilhões, contra US$ 483,8 milhões no mesmo período de 2020.

rede de fast food revelou ainda que as vendas retomaram aos níveis pré-pandemia, na esteira de promoções especiais em alguns países. “Nosso desempenho é uma demonstração contínua da força e resiliência de base ampla de nossos negócios, já que as vendas globais comparáveis no segundo trimestre aumentaram quase 7% em relação a 2019”, destacou o CEO do McDonald’s, Chris Kempczinski.

Com ajustes, o lucro por ação somou US$ 2,37 e ficou acima da previsão de analistas consultados pela FactSet, de US$ 2,11. A receita global de US$ 5,89 bilhões também excedeu a projeção de US$ 5,58 bilhões e representou um crescimento de 57% na comparação com os três meses encerrados em junho do ano passado.

Parceria de sucesso

De acordo com a companhia, propagandas com o grupo sul-coreano BTS também contribuíram para a recuperação. A rede fechou uma parceria global de merchandising com o grupo pop coreano, com o lançamento em mais de 50 países, incluindo o Brasil, de um cardápio dedicado às estrelas do k-pop. O produto ficou disponível por tempo limitado

“O grupo é realmente um fenômeno global com uma base de fãs que não conhece fronteiras. Estamos muito animados em trazer a Méquizice do BTS para nossos clientes no Brasil a partir de maio”, disse João Branco, CMO da rede, à época.

Com informações de Estadão Conteúdo

Fonte: Mercado & Consumo


Leroy Merlin investe em realidade aumentada no varejo de construção

Projeto usa câmeras de celulares para mesclar o mundo real com o virtual.


Imagem: Divulgação 

Atenta a pesquisas indicando que os consumidores estão mais abertos do que nunca a tecnologias de realidade aumentada e que em poucos meses bilhões de pessoas vão usar esse tipo de solução na hora de fazer compras, a rede de bricolagem, casa e construção Leroy Merlin está apostando em um projeto que usa câmeras de celulares para mesclar o mundo real com o virtual.

A ideia é permitir que, na hora de planejar a construção ou reforma, os clientes da rede façam simulações de como ficarão os produtos nos novos ambientes. No total mais de 3 mil produtos, destinados aos diversos usos, foram “virtualizados” para oferecer aos clientes novas experiências de consumo.

Para isso a Leroy fechou uma parceria com a R2U, fornecedora de soluções de realidade aumentada. O projeto também conta com apoio da Hogarth, empresa que atua no desenvolvimento das artes 3D.

Valor de negócio

“A tecnologia da R2U permitirá oferecermos uma experiência única e revolucionária aos nossos clientes, que sem sair de casa conseguirão visualizar em realidade aumentada como uma pia, um vaso sanitário ou um lustre ficarão após instalados no ambiente. É um recurso inédito que certamente ajudará muito na decisão de compra e irá impulsionar nossas vendas online”, assinala Elias Rodrigues, diretor de experiência cliente e marca da Leroy.

Caio Jahara, CEO da R2, destacou quea tecnologia de realidade aumentada pode agregar grande valor no negócio da Leroy. “Comprar materiais de construção é sempre um desafio na medida em que, mesmo estando na loja física, o consumidor tem dúvidas se o que está levando irá realmente servir e combinar com o ambiente. A realidade aumentada irá transformar completamente a experiência de compra neste setor e a Leroy sai na frente da concorrência ao oferecer esta tecnologia de ponta”, acrescenta.

Fonte: Mercado & Consumo


Oswaldo Nunes, da Riachuelo: “O cliente nunca esteve tão empoderado”

Em entrevista exclusiva ao portal Mercado&Consumo, executivo falou sobre a digitalização da empresa.

Imagens: Divulgação

A digitalização acelerada pela pandemia de covid-19 e a experiência que ela proporciona deram aos consumidores a possibilidade de se relacionar com as marcas onde quiserem, a qualquer hora. Permitem, também, que as empresas possam se comunicar com eles de forma personalizada e, assim, mais assertiva. “O cliente nunca esteve tão empoderado”, afirma do CEO da Riachuelo, Oswaldo Nunes, em entrevista ao portal Mercado&Consumo.

Uma das marcas mais tradicionais do setor de moda no Brasil, a empresa hoje atua em frentes das mais diversas: vende artigos de decoração para casa, acessórios para animais de estimação, equipamentos eletrônicos produtos de beleza – e, até, vestuário. “Essas novas verticais de negócios nos posicionam no caminho de levar maior relevância para o cliente”, diz Nunes.

Colocar o cliente no centro das decisões tem sido a estratégia da empresa na hora de seguir esse objetivo. Depois de passar por meses com as lojas fechadas e de uma abertura com restrições de horário por causa da pandemia, a Riachuelo implementou, em dezembro do ano passado, o ship from store. Nesse modelo, as lojas físicas funcionam como pontos de estoque da rede de distribuição omnichannel.

Para Nunes, a entrada nesse modelo de distribuição foi o marco do novo papel da loja física. “A gente decidiu usar as lojas para colocar os produtos mais perto do cliente. O ship from store levou para as lojas atividades até então dos Centros de Distribuição, levou para elas o desafio do last mile”, diz o executivo, em referência à etapa final da entrega de produtos.

A aposta tem se mostrado acertada. “Foi um desafio grande, mas mesmo com pouco conhecimento da realidade desse negócio, a gente pôs ‘o bloco na rua’ e decidiu aprender com ele. Hoje, o prazo de entrega do ship from store está muito próximo do prazo dos Centros de Distribuição e o custo frete, também. Há cinco meses, quem olhasse nossos números ficaria horrorizado”, brinca.

Inovações como essas só têm sido possíveis, destaca Oswaldo Nunes, por causa da adição de conhecimentos e novas experiências trazidas por novos executivos nas áreas de inovação e tecnologia. A regra é resistir à tentação de oferecer “mais do mesmo”, diz ele. “Se não houver lideranças que promovam inovação e empreendedorismo junto aos times, empoderando-os, tudo fica muito lento e você perde o ‘time to market‘.”

Não por acaso, o propósito da marca, de “democratizar a moda”, vem mudando constantemente nos últimos anos. Primeiro, passo para “simplificar e facilitar a vida através da moda”. Agora, é “conectar desejos a realizações”.

Neste ano, a empresa lançou uma nova campanha publicitária com o mote “Riachuelo começou a seguir você”. A ideia é mostrar que a era em que um grupo de pessoas decide o que as outras vão usar acabou. Hoje, cada consumidor interpreta a moda à sua realidade e de acordo com sua cultura e crenças. “São movimentos que estamos fazendo em diversas partes da empresa para que possamos manter a coerência. A coerência nos leva à consistência”, finaliza o CEO Oswaldo Nunes.

Fonte: Mercado & Consumo

quarta-feira, 14 de julho de 2021

RESERVA AUMENTA VENDAS EM 66% EM JUNHO


No digital, varejista teve crescimento de 400% e se mostra otimista para a retomada no pós-pandemia.


Por Cristian Favaro


A marca de moda masculina Reserva registrou crescimento de 66% nas vendas em junho, quando se comemora o dia dos namorados, em relação a igual mês de 2019. O dado foi divulgado por Rony Meisler, fundador da Reserva e presidente da AR&CO, divisão de vestuário e estilo de vida do grupo Arezzo.


“Quando a gente fala em venda digital, em junho, cresceu 400%”, disse o executivo, ontem, na Live do Valor. Meisler mostrou otimismo com o ritmo da vacinação no país. “Vejo, pelo que a ciência nos diz, que temos um cenário de proximidade do fim dessa maluquice [pandemia]”, afirmou.


Para 2022, as perspectivas são mais favoráveis, com sinalização de resultados melhores do que os deste ano. O executivo, entretanto, ponderou que suas previsões consideram o cenário de mercado de marcas como a Reserva, focadas em grupos A e B. “Outros segmentos de mercado que pegam mais classes C, D e E acho que vão sentir mais”, afirmou.

Meisler observou que a Reserva está aumentando esforços para preparar a sua primeira coleção feminina. Segundo ele, uma parte do time da marca está trabalhando há quatro meses nesse projeto. Mesmo assim, ele diz que o lançamento não deve acontecer neste ano.

“O que podemos adiantar é que estamos investindo pesadamente para ocupar esse mercado e o mercado de jeans wear brasileiro”, disse.


O executivo falou também sobre o cenário movimentado de fusões e aquisições no varejo de moda e sinalizou que há marcas no radar, mas não deu pistas.


Na sua visão, o Brasil tem um mercado fragmentado hoje e com bons empreendedores. Segundo o executivo, “certamente” vão sair negócios no mercado. Os que a AR&CO entrar, entretanto, serão movimentos feitos com responsabilidade e parcimônia, afirmou.


“No passado não muito longínquo, o mercado foi consolidado de maneira errada. E sofre essa consolidação até hoje”, disse, em referência a negócios que teriam focado apenas no lado financeiro, mas desconsiderando clientes e alinhamento entre as marcas.


Questionado sobre o perfil de aquisições que o grupo estaria disposto a fechar, defendeu complementariedade. “Elas não podem se canibalizar”, afirmou.


Em abril, o grupo Arezzo tentou comprar a Cia. Hering, mas esta acabou fechando a venda para o grupo Soma, dono das marcas Farm e Animale. Meses depois, em junho, a Arezzo anunciou a compra da BAW Clothing, marca que nasceu digital e é mais conhecida entre jovens da geração Z (nascidos de 1995 a 2010).


Meisler defendeu uma mudança de paradigma no setor de vestuário quando se fala em vendas on-line e off-line. “Se o negócio hoje é só on, ele vai ter de ter pegada off. Se é só off, vai ter de ser on também. Porque todas as marcas e negócios, em todos os segmentos varejistas, têm de olhar para a jornada do consumidor”, defendeu.


Atualmente, cerca de 50% das vendas da empresa passam pela internet, disse o executivo. “Eu acredito que entre 40% e 50% é o patamar que deve ficar”.

Fonte: Valor Econômico

RENNER REFORÇA INVESTIMENTOS EM ENERGIA E PREPARA MARKETPLACE


Varejista faz acordo com Enel para abastecer 170 lojas e novo CD com energia eólica, começa a testar plataforma de vendas online e se prepara para aquisições

Por Ralphe Manzone


Em um movimento para cumprir metas de sustentabilidade assumidas para o fim de 2021, a Lojas Renner está assinando um contrato com a Enel para comprar energia eólica para abastecer 170 lojas e um novo centro de distribuição que está em construção em Cabreúva (SP).

Com o acordo, 80% do consumo corporativo da Lojas Renner, que inclui prédios administrativos, centros de distribuição e lojas, passarão a ser atendidos por fontes renováveis, como energia eólica, solar e de pequenas centrais hidrelétrica. A meta era chegar ao fim deste ano com 75%.

“A intenção sempre foi ter uma fonte energia que fosse renovável, mas com o acordo vamos ter também uma economia de 40% na conta de energia”, afirma Fabio Faccio, presidente da Lojas Renner. Ao longo de 15 anos, a economia estimada é de mais R$ 500 milhões.

Considerando só as lojas, 40% de todo o consumo da marca Renner no Brasil será suprido com o volume de energia previsto no contrato com a Enel. Atualmente, o grupo Renner conta com 634 lojas, sendo 403 da marca Renner – as demais são da Camicado (casa e decoração), Youcom (moda jovem) e Ashua Curve & Plus Size (roupas nos tamanhos 46 a 54).

Além da meta de energia, a Lojas Renner planejou ter também 100% de sua cadeia nacional e internacional de fornecedores com certificação socioambiental até o fim de 2021. Outro objetivo é reduzir em 20% as emissões de CO2 em relação aos níveis de 2017 – a rede varejista diz já que neutraliza suas emissões. “A nossa expectativa é reduzir as emissões em 36% até o fim deste ano”, diz Faccio.

A energia para suprir as necessidades previstas no contrato com a Lojas Renner será produzida no complexo eólico Fontes dos Ventos II, que está em construção no município de Tacaratu (PE), na bacia do rio São Francisco. “A Lojas Renner é o primeiro parceiro em que desenvolvemos esse tipo de contrato”, diz Nicola Cotugno, country manager da Enel no Brasil. O contrato com a rede varejista será de 15 anos.

A Enel está investindo cerca de R$ 5,6 bilhões em cinco novos empreendimentos (quatro eólicos e um solar) que somam 1,3 GW de capacidade instalada. Além dos projetos em construção, a Enel já possui no País uma capacidade instalada renovável em operação de mais de 3,7 GW (1.498 MW eólicos, 979 MW solares e 1.269 MW hidrelétricos).


Marketplace e aquisições

Depois de captar quase R$ 4 bilhões em um follow on, em maio deste ano, em que levantou rumores de que se preparava para uma grande aquisição, Faccio diz a companhia usará os recursos para avançar na sua digitalização.

Isso não quer dizer que a varejista não será ativa em M&A. Sobre aquisições, Faccio diz que a companhia deve iniciar em breve um movimento. Mas avisa: “Vamos começar a ter algumas aquisições, mas não grandes, para acelerar algumas iniciativas.”

De acordo com ele, a Lojas Renner trabalha em iniciativas ligadas ao aumento de sortimento de produtos e serviços. “Principalmente na plataforma tecnológica, de logística, de conteúdo e de loyalty”, afirma Faccio.

O executivo também confirmou que trabalha com um teste de um marketplace para a marca Renner, mas diz que a iniciativa ainda é recente e não quis fornecer mais detalhes.

Atualmente, a Camicado conta com um marketplace que reúne 100 fornecedores, que representaram 15% das vendas digitais da marca, segundo informou a companhia na divulgação de seu resultado do primeiro trimestre de 2021.

Os marketplaces são uma tendência em todos os setores, inclusive na área de moda. Em maio deste ano, a rival Riachuelo iniciou as operações de seu marketplace. A C&A também atua com vendedores terceiros em sua plataforma digital.

Essa estratégia deve ajudar a Lojas Renner a aumentar suas vendas online. Nos três primeiros meses deste ano, o desempenho dos canais digitais seguiu em patamares elevados, quando as vendas cresceram 173,4% e representaram 17,5% do total de uma receita líquida de R$ 1,3 bilhão.

Faccio também se mostrou otimista com o desempenho do segundo semestre, à medida que a vacinação vai se ampliando. A Lojas Renner está com todas as suas lojas abertas, mas algumas delas ainda mantêm restrições de horários de funcionamento.

“Os meses recentes vêm mostrando o aumento de consumo a níveis de antes pandemia”, diz o presidente da Lojas Renner. “Estamos com uma expectativa positiva no segundo semestre.”

Em relatório, o Itaú BBA destaca que a Lojas Renner é a companhia do setor melhor posicionada para capturar os benefícios do varejo digital, além de possuir um balanço financeiro robusto. Na B3, a Lojas Renner vale R$ 35,6 bilhões. As ações sobem 3,7% em 2021 cotadas a R$ 44,89 na segunda-feira, 12 de julho.


Fonte: Neofeed

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Como a pandemia impactou a relevância do shopping e acelerou a transformação digital


Após um ano desafiador de pandemia e um recomeço frustrado em 2021, o setor de shopping centers inicia nova retomada e planeja 13 inaugurações para este ano. Caso sejam confirmados esses lançamentos, o volume de inaugurações será 85% acima do ocorrido no ano passado e maior até que as 11 unidades novas registradas em 2019. Na prática, mesmo com cenário ainda repleto de incertezas, o empresariado do setor espera o afrouxamento das medidas restritivas, à medida que o ritmo da vacinação avance pelo Brasil e a melhora dos fatores condicionantes de demanda, como a recuperação da atividade econômica, a redução da taxa de desemprego e o avanço das concessões de crédito, contribuam para voltar a crescer.

Um movimento que, segundo os especialistas, será duplo pois, além de buscar a recuperação das perdas com a pandemia, o setor deve se transformar para continuar relevante frente aos novos tempos e ao perfil do consumidor pós-pandemia.

Esse movimento, porém, não está sendo homogêneo porque depende de fatores diversos como o grau de maturidade do shopping, o tamanho, a capacidade de inovar e a aderência ao lifestyle da clientela na região em que se localiza. Mais do que nunca, a experiência do consumidor para além das compras é o que vai ditar o ritmo do retorno.

“Essa foi a mensagem mais importante que tivemos dos nossos clientes”, comenta Thiago Alonso de Oliveira, CEO da JHSF, que viu no quarto trimestre do ano passado, época em que o comércio ainda não estava funcionando a 100%, as lojas nos seus shoppings venderem mais que em 2019 no mesmo período. “Depois de seis ou oito meses sem poder sair de casa, quando puderam sair, os clientes quiseram voltar para os nossos shoppings. Significa que conseguimos construir alguma coisa de prazeroso na memória de sensações deles com relação aos nossos espaços.”

Diferente de outros povos, a relação do brasileiro com o shopping migrou ao longo dos anos de destino de compras para opção de lazer. Cinemas, teatros, restaurantes, serviços diversos e a segurança de ambiente controlado conquistaram o público e ampliaram o mix ofertado, contribuindo para que o setor continuasse em crescimento mesmo em períodos de crise econômica. “A indústria de shoppings sempre se destacou por sua resiliência, tanto para investidores quanto para lojistas, e agora não está sendo diferente”, avalia Felipe Rodrigues, fundador da Legatus Asset Management, gestora especializada em shoppings, sócia da Aliansce Sonae.

Para o executivo, desta vez, a retomada deve se dar em dois tempos. “É preciso segregar os aproximadamente 600 shoppings do Brasil em dois grupos. Os shoppings em capitais e de players de mercado terão uma retomada bem acelerada entre 18 a 24 meses. Já os localizados em cidades secundárias ou de empreendedores independentes demorarão três anos, em alguns casos até mais, para atingir novamente o patamar econômico de 2019”, afirma.

Para Leonardo Coelho, diretor da A&M e especialista em varejo, além da localização, o tempo de maturidade do centro de compras também afeta a velocidade de retorno. “Entre 2012 e 2015 tivemos os anos de ouro do varejo e muitos shoppings surgiram a partir daí. Esses passarão por dificuldades agora porque, diferentemente dos shoppings tradicionais, os operadores mais novos não tiveram tempo de testar seu fluxo, funcionamento e perfil de consumidor.”

O impacto do tapume

Um dos fatores a ser observado é o nível de vacância. “Todos os shoppings perderam lojistas na pandemia, mas os shoppings mais fortes têm uma capacidade de recuperação muito grande. Curiosamente, temos na carteira de ativos de shoppings que hoje estão com nível de vacância menor do que tínhamos em fevereiro do ano passado”, comenta Alexandre Machado, sócio-fundador e diretor da Hedge Investments, destacando os da região Centro-Oeste, favorecidos pelo cenário econômico da região que aproveitou a demanda mundial por commodities e o câmbio favorável às exportações. “Se o shopping tem muita vacância, ele perde a atratividade porque, de um lado, ele não consegue oferecer o mesmo mix que oferecia antes, e, de outro, o consumidor fica triste ao circular por corredores cheios de tapumes”, diz Machado. “E, se a pessoa não está alegre, ela não consome.” Machado ressalta que, além da atratividade, a vacância compromete o resultado, pois o dono do shopping perde a receita do aluguel e tem de custear a despesa do condomínio. Considera, porém, que um nível controlado de vacância, inferior a dois dígitos, pode contribuir para que os empreendedores atualizem o portfólio de lojas de forma mais interessante.

“Existem marcas bem estabelecidas que não conseguiam espaços nos shoppings e agora há oportunidade para elas com preços até mais atraentes por causa dessas áreas vagas”, avalia também o analista Renan Manda, da XP. Para preencher os vazios, o setor está se adaptando aos novos hábitos de consumo que ganharam força ao longo da pandemia e acelerando o debate sobre inovação e transformação digital dos shoppings. É certo, por exemplo, que o e-commerce ganhou espaço e, para muitos produtos, a compra presencial deixou de fazer sentido. Nesse caso, a estratégia é oferecer soluções omnichannel, em que o shopping atua como mall as a hub, integrando o varejo físico e o digital, conectando lojistas e disponibilizando espaços para estoques, centros de distribuição, cross docking e outras ferramentas de logística; dark stores (lojas fechadas que só vendem pela internet) e marketplaces. Até as garagens, que representam algo em torno de 20% do faturamento dos shoppings, estão sendo repensadas.

Fazenda na garagem

Antes da pandemia, com a expansão do uso de carros por aplicativos e de bicicletas, alguns operadores mais antenados já percebiam que teriam de redimensionar as imensas garagens dos shoppings e encontrar outra utilidade para elas. Uma experiência foi a parceria entre a BeGreen Farm e o Shopping Boulevard, em Belo Horizonte (MG). Eles inauguraram, em 2017, uma fazenda urbana com capacidade para 50 mil pés de hortaliças. “Estacionamentos de shoppings são perfeitos porque estão bem localizados, com fluxo de clientes e nos dão a possibilidade de criar uma experiência sustentável para crianças e família”, afirma Giuliano Bittencourt, CEO da BeGreen Farm, que também abriu uma unidade em um shopping do Rio de Janeiro e planeja quatro inaugurações para este ano, sendo duas em São Paulo, e outras quatro em 2022.

“Nos shoppings nós criamos uma espécie de ‘parque de diversões’ sustentável, onde exploramos desafios de água, reutilização de materiais, energia renovável, além de aulas não convencionais para crianças descobrirem as possibilidades de um mundo mais verde”, comenta. “Ao termos uma BeGreen no shopping, ancoramos aquela área como um espaço sustentável e saudável. Assim, conseguimos atrair parceiros que orbitam este mundo, como restaurantes saudáveis, hortifrutis orgânicos, loja de bicicletas elétricas, padarias artesanais, entre outros.”

As garagens também estão aproximando o shopping do delivery. O espaço tem sido aproveitado para dark kitchen e dark stores, dois modelos de negócios que cresceram com a pandemia. São cozinhas industriais e lojas que só vendem pela internet e optam por esses espaços pela proximidade com o cliente, o que reduz o custo e o tempo de entrega e pela facilidade de acesso para os entregadores. O atendimento a portas fechadas tem atraído tanto empreendedores novos, surgidos com a crise de emprego, como comerciantes estabelecidos que precisaram cortar custos com a crise, principalmente restaurantes que trocaram as salas de jantar que acomodavam os clientes por um sistema mais robusto de produção e distribuição de alimentos, com foco em escalabilidade e frequência. “A pandemia forçou os shoppings a realizar algo que eles vinham procrastinando, a experimentação digital”, constata Leonardo Coelho, da A&M. Além de atuarem como marketplaces, os shoppings estão utilizando suas estruturas como suporte às vendas online, com soluções que vão do drive-thru a sistemas integrados de logística, e novas vitrines como o WhatsApp e as redes sociais.

Longo prazo

Enquanto busca se reinventar, o setor calcula as perdas com a pandemia. Em 2020, o faturamento de R$ 128,8 bilhões representou uma queda de 33,2% em relação a 2019. Um resultado surpreendente, considerando que nos meses em que estiveram fechados as perdas dos comerciantes chegaram ao patamar de 90%. Para não perder lojistas, as administradoras foram flexíveis na cobrança de aluguéis, custeio dos condomínios e fundos de promoção, assumindo uma perda de R$ 5 bilhões no período mais agudo da crise até setembro do ano passado.

Por causa da resiliência do segmento, havia no início de 2021 a projeção de uma alta nominal de 9,5% nas vendas, porém, novos fechamentos de shoppings em cumprimento a decretos estaduais e municipais no período de fevereiro a abril têm levado a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) a rever as expectativas para 2021 e a reivindicar mais atenção do governo. “Em 2020, os shoppings ficaram 85 dias fechados e 203 dias funcionando com algum tipo de restrição, mas pagaram seus impostos normalmente”, afirma Glauco Humai, presidente da Abrasce. “O poder público, seja federal, estadual ou municipal precisa equilibrar perdas e ganhos da atual conjuntura, através de tributos ou diferimentos de taxas, por exemplo.”

Com o impacto da pandemia, as ações de empresas administradoras de shoppings e os fundos imobiliários que investem no ramo estão mais baratos e podem ser interessantes para investidores de longo prazo, desde que fiquem atentos à qualidade dos ativos. Mais que a capacidade de recuperação da pandemia, deve-se observar como o empreendimento se prepara para continuar relevante frente aos novos tempos.

Fonte: www.forbes.com.br