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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

A realidade e os desafios do foodservice em 2023

O foodservice brasileiro passa por um momento de ajuste à realidade em 2023. Após um forte crescimento em 2022, quando não havia mais quaisquer restrições ao consumo e à circulação, neste ano o setor encarou um cenário mais complexo, perdendo ritmo de crescimento.

Imagem: Shutterstock

Embora o gasto total do consumidor no setor tenha aumentado de forma consistente ao longo dos últimos dois anos, segundo dados do Crest, no acumulado de nove meses (janeiro a setembro), 2023 está apenas 2% acima de 2022, mostrando que a retomada do consumo no pós-pandemia perdeu ritmo – caindo 3% no 3º trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2022, a primeira queda dos últimos dois anos.

A princípio, o cenário econômico parece favorável ao consumo, segundo diferentes dados do IBGE: queda rápida da taxa de desocupação, que atingiu 7,6% em no trimestre móvel finalizado em outubro (a menor desde 2015); crescimento do rendimento médio real da população, recuperando as perdas da pandemia; queda consistente da inflação, sobretudo da alimentação dentro do domicílio; além da confiança do consumidor, que segue em crescimento de acordo com a FGV.

Por outro lado, há o forte endividamento das famílias, que atingiu 77,4% em setembro, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio. Ou seja, apesar de um cenário aparentemente favorável, a renda disponível para consumo está limitada por obrigações financeiras e inadimplência.

A redução do consumo no foodservice não impacta apenas os operadores na ponta final, mas também os diferentes elos da cadeia de valor, principalmente em suas etapas de abastecimento.

Segundo o Foodcheck, as compras de insumos por restaurantes, lanchonetes e padarias mostraram tendência de queda ao longo do ano. Essa redução das compras atingiu os diferentes canais de abastecimento, como os atacadistas, distribuidores, indústria, varejo e cash&carry. Em outubro, a queda do volume de compras foi de 8%, se somando às quedas dos três meses anteriores.

Queda das vendas e do abastecimento: o que tem reprimido o consumo do brasileiro? Redução de gastos.
De acordo com a 4ª edição do Tomorrow’s Consumer, estudo proprietário da Mosaiclab, 66% dos brasileiros reduziram os gastos em alimentação fora de casa por causa da contenção de custos. Restrição orçamentária é a ordem do dia dentro dos endividados lares brasileiros.

Mas diferentes aprendizados ao longo do ano mostram possíveis caminhos de recuperação: melhor custo-benefício das ofertas, praticidade, conveniência, vantagens por meio de programas de fidelidade, simplificando a jornada do consumidor.

É esperado, porém, que a lenta recuperação do setor permaneça desigual, considerando que a maioria dos restaurantes brasileiros, independentes e pequenos, têm orçamento muito limitado e margens curtas para investir em soluções mais caras, que ficam mais restritas às redes, com maior capacidade de investimento.

Apesar de projeções positivas para os próximos dois anos, a recuperação efetiva do foodservice brasileiro passa por um crescimento consistente da economia brasileira, permitindo ganhos reais na renda das famílias, redução do seu endividamento e aumento sustentável do consumo.

Eduardo Bueno é head de Pesquisa e Inteligência na Mosaiclab, responsável pela pesquisa Crest no Brasil.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Fonte: Mercado & Consumo

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Conheça as tendências do varejo 2024

Do uso de IA ao conceito phygital, o setor prepara-se para um ano de reinvenção e integração entre canais de compra.

Imagem: Consumidor Moderno

Preparando-se para as tendências do varejo 2024, o setor se organiza para enfrentar transformações significativas. Apesar das incertezas econômicas e da cautela do consumidor, há uma perspectiva positiva esperada. Segundo Antônio Sá, sócio-fundador da Amicci, empresa de tecnologia de varejo private label, a previsão é de um cenário no qual as lojas físicas se reinventarão. Elas vão oferecer experiências personalizadas para atrair e fidelizar clientes.

“Os diversos canais de consumo que o varejo já tem continuam sendo muito importantes, mas, em 2023, comprovamos a importância da loja física. Perto da casa do cliente ou do trabalho, esses pontos de venda, que já trazem comodidade, serão totalmente transformados e evoluídos, oferecendo experiências ainda mais personalizadas, simplificadas e inovadoras”, explica. A ideia é despertar os sentidos dos consumidores, utilizando elementos sensoriais como música, aromas e iluminação para criar ambientes agradáveis e confortáveis.

Jornada simplificada

A implementação de tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e machine learning será fundamental para otimizar processos internos das lojas. Desde o gerenciamento de estoque até a detecção de fraudes e análise preditiva, essas ferramentas contribuirão para aprimorar a segurança, antecipar tendências de consumo e ajustar preços de forma dinâmica.

Para os consumidores, isso se traduzirá em uma jornada de compra simplificada. A experiência de visitar uma loja física será focada na comodidade, agilidade na escolha dos produtos e um processo de checkout sem atritos, reduzindo ao máximo o tempo na finalização da compra.

“No final do dia, todos esses aspectos irão colaborar para a jornada de compra se tornar muito mais suave e customizada. O objetivo é que o consumidor tenha uma experiência sensorial e de tempo para que ele se sinta bem na loja, sem esforço. Com isso, a relação entre comprador e vendedor será fortalecida e o ato da visita mais desejado e frequente”, finaliza 

IA e análise de dados

Em 2024, os varejistas estão priorizando investimentos em ferramentas de engajamento do cliente impulsionadas pela IA para atender à busca crescente dos consumidores por experiências de compra personalizadas e imersivas. A análise do comportamento do cliente assume um papel fundamental para desenvolver estratégias de marketing e engajamento mais eficazes. 

Ao coletar e analisar dados, os varejistas podem obter insights valiosos sobre preferências, padrões de compra e áreas que podem ser aprimoradas. Essa abordagem orientada por dados permite ajustar ofertas, criar campanhas de marketing direcionadas e fortalecer a fidelidade dos clientes.

Personalização em foco

Como acabamos de ver, a coleta e análise de dados serão fundamentais para oferecer uma experiência única aos consumidores. Nesse contexto, a personalização não se limitará a chamar o cliente pelo nome, mas sim em entender suas preferências e comportamentos. 

Chatbots e assistentes virtuais desempenharão um papel significativo na interação com o consumidor. Isso acontecerá tanto nas lojas físicas quanto online, otimizando a tomada de decisões e elevando a experiência de compra a um novo patamar.

O futuro é phygital

Além disso, os pagamentos digitais ganharão destaque. Isso inclui o uso crescente de carteiras digitais e novas tecnologias de identificação do cliente, como pagamentos por aproximação ou reconhecimento facial.

Experiência redefinida e conectada

Em resumo, todas essas inovações visam tornar a jornada de compra mais fluida, personalizada e agradável para os consumidores. Além de fortalecer o relacionamento entre comprador e vendedor e tornar a visita às lojas uma experiência desejada e frequente.

As perspectivas para o varejo em 2024 indicam uma transformação profunda, impulsionada pela reinvenção das lojas físicas e pela integração entre os mundos online e offline, oferecendo aos consumidores uma experiência de compra redefinida e mais conectada com suas necessidades e preferências.

Estratégias do varejo omnichannel

Em 2024, os varejistas se concentram em criar uma estratégia de distribuição que mantenha a mesma experiência para os consumidores, seja na loja física, online ou via aplicativos. Utilizando tecnologias, eles buscam manter um controle em tempo real do estoque, uma logística mais eficiente e uma identidade de marca consistente, para garantir uma experiência de compra coesa.

Retail media networks (RMNs) 

“São plataformas que conectam compradores e vendedores, oferecendo uma variedade impressionante de produtos e serviços. Na revolução do comércio online, eles são os principais protagonistas: trouxeram conveniência para os consumidores, algo que é muito valorizado nos dias de hoje”, explica Fabrizzio Topper, CEO da DRIVEN.cx

Portanto, a previsão é que as retail medias continuem a crescer e se expandir para lojas com sinalização digital. Essa expansão promete uma influência ainda maior sobre os compradores, estendendo-se para o ambiente das lojas físicas e reforçando a presença desse formato de publicidade no varejo.

Fonte: Consumidor Moderno

O mix de lojas do shopping mudou. E vai continuar mudando, sem parar

 

Imagens: Divulgação

Há sete anos, praticamente metade das lojas de um shopping center vendia moda. Hoje, outros segmentos como alimentação, entretenimento e bem-estar, roubam a cena no tenant mix (mescla de inquilinos). O que aconteceu? É simples. Os centros de compra do passado ganharam novas roupagens e funções na vida das pessoas.

O Credit Suisse produziu, sete anos atrás, interessante relatório onde analisou o mix das principais empresas de shopping centers no quarto trimestre de 2016. Os shoppings da Multiplan, na época, possuíam 51% das lojas dedicadas à moda. No Iguatemi esse percentual era parecido: 49%. No portfólio da Aliansce e brMalls, moda representava algo em torno de 45% da quantidade de lojas.

De lá para cá muita coisa aconteceu. O protagonismo do segmento de moda diminuiu. A ideia do shopping como destino de convivência e diversão consolidou-se. O digital mudou hábitos, em especial após a pandemia, e levou marcas importantes às cordas. Diante disso tudo, estranho seria se os shopping centers ficassem iguais.

Não ficaram. Na Multiplan, somente 33% da ABL (área bruta locável) são hoje ocupados por lojas de vestuário, uma queda de três pontos percentuais em comparação com 10 anos atrás. Por outro lado, o setor de comida e bebida cresceu 3,5% no período.

Isso é apenas o começo. Na expansão do ParkShopping Barigui, que a Multiplan possui em Curitiba, os destaques serão a ampliação do ParkGourmet, a chegada do playground indoor FunPark, a volta do Hot Zone e um centro médico com quatro mil metros quadrados. Ou seja: o trio gastronomia, entretenimento e serviços reinará na nova área de 15 mil metros quadrados.

Ilustração ParkShopping Barigui

Esse não é um movimento isolado. Nos empreendimentos da Ancar Ivanhoe, as operações de alimentação ocupam hoje 25% da ABL. As de entretenimento, 5%. Serviços somam 10% e lojas que oferecem bem-estar contribuem com 15%. O restante do varejo, incluindo moda, fica com os demais 45% das áreas de vendas.

Na opinião de Evandro Ferrer, CEO, da Ancar Ivanhoe, gastronomia, entretenimento e bem-estar serão as novas ancoragens dos shoppings. “Hoje possuímos 21 restaurantes no Nova América (RJ), todos operando bem. No Botafogo Praia Shopping são 12 restaurantes. Isso sem falar nos ‘pontos de parada’, que é como chamamos os cafés, gelaterias, docerias e chocolaterias, que têm crescido muito. A demanda dos clientes parece não ter fim”.

Outra aposta certeira de Ferrer é no segmento chamado de ‘bem-estar’. “Bem-estar é tudo o que faz bem a você: academia, estética, massagem, cosméticos e farmácias, que hoje vendem muito por conta dos produtos de beleza”.

O Center Norte, em São Paulo, também está surfando as ondas no novo tenant mix. Aproveitou a expansão, inaugurada no final de outubro, para ajustar a oferta de lojas às demandas do consumidor. Além das novas marcas, trocou uma TNG pelo Cruzeiros Bar e uma hamburgueria por dois bares que ainda não haviam chegado à Zona Norte: o Pirajá e o Vaca Véia.

Investiu ainda no varejo de experiência, ampliando a loja da iPlace, para que pudesse agregar serviços e trouxe a Lego. “Identificamos a necessidade de aumentar a oferta de experiências para o público infantil, o que a Lego faz muito bem”, explica Guilherme Marini, Diretor de Shoppings da Cidade Center Norte.

É evidente que, além de lojas entrando nos shoppings, há outras saindo. Marcas importantes, como Marisa, Americanas, Tok&Stok, Livraria Cultura, Amaro e Starbucks fecharam lojas esse ano. Porém, no frigir dos ovos, o que parecia um enorme problema revelou-se uma oportunidade para bons ativos.

“O alto turnover em 2023, no final ajudou, proporcionando espaço para mais mudanças no mix”, explicou Armando d’Almeida Neto, Diretor Vice-Presidente e de Relações com Investidores da Multiplan.

É fato. Nos últimos 12 meses, terminados em setembro, a Multiplan promoveu a troca de quase 80 mil metros quadrados de área de lojas, algo perto de 9% da ABL total. A vacância se manteve em 3,6%, um patamar relativamente baixo. Isso aconteceu porque novas lojas abriram, em especial no setor de alimentação.

Algo semelhante aconteceu na Allos. “Nas últimas trocas que fizemos observamos que as lojas que entraram estão vendendo 33,9% a mais do que as que saíram”, informou Felipe Andrade, Diretor Comercial, em entrevista recente ao jornal O Globo.

Shopping Center Norte, zona norte de São Paulo

Outra mudança em relação ao passado é a distribuição estratégica das lojas ao longo dos corredores. “Pensar uma melhor experiência do cliente como um todo pode significar colocar uma oferta de chocolate, doce ou sorvete ao lado de uma loja de moda, por exemplo”, ensinou Marini, do Center Norte. D’Almeida Neto, da Multiplan, concorda. “A gente tinha a estratégia de deixar tudo muito organizadinho. Mas o shopping agora precisa ser a réplica da rua. E a rua não é tão organizada assim”.

Uma preocupação que permeia a indústria de shopping centers é com o pequeno lojista, que vem perdendo capacidade de competir com as grandes redes e franquias. “Temos feito mais negociações com esses grupos com melhor estrutura, mesmo que eles dependam de franqueados e menos com lojistas independentes”, relata Marini.

Ferrer, da Ancar Ivanhoe, também reconhece o risco que os pequenos varejistas correm. “Temos que nos preocupar com nossos lojistas. Hoje cerca de 30% das lojas são isoladas, não pertencem a uma rede e, portanto, contam com menos suporte.”

Para atenuar o problema, a Ancar Ivanhoe disponibiliza para os lojistas a Universidade do Lojista, pensando no desenvolvimento não somente do empresário, mas também das equipes de venda. “Queremos que o vendedor queira trabalhar em uma loja localizada em um shopping da Ancar porque ali ele sabe que terá apoio para se desenvolver”, afirma Ferrer.

Não há dúvida de que o tenant mix mudou. E sobram certezas de que continuará a mudar. “Não termina nunca, é um trabalho contínuo”, sintetiza Marini. Ele está certo. O desafio não é apenas ajustar o conjunto de lojas às demandas atuais dos consumidores. É construir processos para evoluir permanentemente.

D’Almeida, da Multiplan, acredita que é o consumidor quem determina o mix do shopping. E as pessoas mudam o tempo todo. Por isso, é tão importante investir em pesquisas e informação para desenvolver a inteligência comercial. “Temos uma quantidade absurda de dados extraídos da operação, que direcionam para onde o mix deve seguir. Usar dados que você tem, hoje, é a melhor forma de fazer isso”.

Usar dados e pesquisas com o consumidor é, de fato, essencial. Mas tudo isso vale pouco se os shoppings não se libertarem de antigos mitos. Até pouco tempo atrás, o mercado consultava uma tabela para construir o mix ideal. Hoje, receita de bolo não funciona mais.

Ferrer acredita que é preciso revisitar a classificação de mix do passado para trazer mais diversidade. “As estratégias comerciais devem ser mais dinâmicas, permitindo mais liberdade para criar”.

É bem por aí. Quem viver, verá.

Luiz Alberto Marinho é sócio-diretor da Gouvêa Malls.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Fonte: Mercado & Consumo

terça-feira, 28 de novembro de 2023

A grande aposta do foodservice: On Premise ou Off Premise?

O mercado de alimentação fora do lar segue em um contínuo processo de reinvenção, porém executivos e empreendedores se questionam insistentemente sobre onde focar seus esforços e investimentos. Apenas para alinharmos entendimentos “on premise” significa consumo no local e “off premise” consumo fora do local.

Pré-pandemia o delivery era um canal complementar e ganhou relevância saindo de 9% para 21% de participação no tráfego total do segmento em 2021. Pós-pandemia o consumidor estava ansioso pelo presencial. E, claro, com o crescimento das vendas, houve uma diluição do percentual de participação do delivery, mas ele continua relevante. Lembrando que ele não é o único no “off premise”. O drive-thru e o “para viagem” também fazem parte.

Novembro de 2021 foi o mês com menos mortes causadas pela pandemia de Covid-19* desde abril de 2020, além disso, foi um relevante momento de tração da vacinação contra o vírus. Deste modo, foi um mês marcante para a retomada da vida das pessoas em uma nova perspectiva de normalidade. E a realidade de venda exclusiva pelo delivery, drive thru ou para viagem volta a dar espaço para o consumo nos restaurantes, bares e demais estabelecimentos (“on premise”).

No gráfico 1 é possível observar a queda e recuperação do tráfego em bilhões de transações, trimestre a trimestre no foodservice.

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Imagens: Shutterstock

Assim, ainda referenciando o gráfico 1, é possível ver a explosão em tráfego no terceiro trimestre de 2023. E em exatamente 24 meses como o mercado luta para se recuperar, ainda com sobressaltos, agora menos impactados pela pandemia, mas, pela inflação, desemprego e renda.

No gráfico 2 temos uma informação preciosa. Apesar de trazer a visão exclusiva do terceiro trimestre de 2023 é possível identificar por grupo etário as diferenças de adesão do consumidor aos canais.

Assim, o “off premise” se conecta fortemente com o público jovem entre 17 e 24 anos. Já o “on premise” com o adulto de 35 a 45 mais. Esse comportamento é absolutamente normal segundo o mindset geracional.

O adulto quer resgatar o sentimento do que tinha antes da pandemia, retomando o status quo do que viveu. Suas melhores lembranças, o sentimento para além da gastronomia, o sentimento de “confort service”, ou seja, um conjunto que engloba toda sua experiência. Já o jovem busca o novo. Ele é mais adaptável e esse comportamento se conecta com algo que ele já praticava antes da pandemia que é o “eat moving”, ou seja, o comer está atrelado a sua mobilidade.

Pedir digitalmente e receber, pegar e levar, ou pedir ali na janela do drive-thru é um comportamento integrado ao estilo de vida do jovem. Menos investimento com serviço, pois seu orçamento é mais restrito e maior foco no propósito das marcas com as quais se conecta.

food

Imagens: Shutterstock

Então, respondendo ao questionamento sobre aposta que está no título desse artigo: depende. Depende da concentração de público da sua marca, depende do seu modelo de negócios, depende o quanto eficiente seu time é para atender em um ou outro canal.

Porém, como consultora e especialista do segmento, reforço que é importante preparar-se para bater o pênalti com os dois pés. Mantendo sempre uma “operação lab”, seja ela on ou off premisse, para construção de processos e validação de modelo. O mercado é dinâmico e, em algum momento, se a perda de relevância colocar o negócio em risco, você estará pronto para desplugar e acelerar, ou, o que mais gostamos, proativamente validar um novo modelo, sendo possível liderar um movimento e se fortalecer.

O ano de 2024 será um grande ano para o foodservice. Prepare-se!

*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

*Fonte: sanarmed.com – nov/2023

Fonte: Mercado & Consumo

Construindo relações significativas com o cliente: a importância da jornada e da experiência do consumidor

Numa época em que o alto fluxo de informações impera, uma afirmação que ouvi tempos atrás chamou minha atenção de forma intensa: “Nesta era dos dados, quem tem coração é rei”. Essas palavras ressoaram em mim e aqui estou para compartilhar por que elas são tão significativas em nosso mundo contemporâneo. Como diretora da Bloomin’ Brands, uma holding que detém marcas queridas do público brasileiro, entre elas o conhecido e celebrado Outback Steakhouse, não é surpresa que a experiência do cliente seja uma questão central e constante em nossas conversas, eventos e pesquisas.

Imagem: Shutterstock

Entendemos que, mesmo com a necessidade de investirmos cada vez mais em tecnologia e sabermos apurar e usar dos dados de forma estratégica, nada supera a importância dos momentos presenciais de celebração e das relações humanas. É comum ver os investimentos em tecnologia dominando as discussões corporativas, com a Inteligência Artificial (IA), softwares avançados e análises de dados sendo amplamente utilizados para compreender e aprimorar a jornada e a experiência do consumidor, seja em ambientes físicos, seja em ambientes virtuais. E como você tem aprofundado a experiência do seu cliente?

Do nosso lado, sempre enfatizamos que não se trata apenas de servir uma boa comida, mas sim de criar momentos memoráveis. A tecnologia para nós é meio, não fim. Afinal, cada prato dos nossos restaurantes é preparado com dedicação, servido um a cada vez, e todos os mínimos detalhes de nossos estabelecimentos são planejados minuciosamente para gerar esses momentos especiais. E a tecnologia se torna onipresente em tudo o que fazemos.

Desde o momento em que o cliente entra em nosso restaurante, queremos proporcionar a ele uma jornada personalizada, calorosa e amigável. Acreditamos firmemente que ele está no centro de tudo. Temos um programa que nos permite identificar nossos consumidores de alto valor, que estão sempre em nossos restaurantes, próximos de nós e com os quais buscamos destravar oportunidades, atender sugestões, sermos constantes nos nossos canais de comunicação e ouvi-los sempre, nos momentos de paixão ou de dor.

Por exemplo, quando um desses clientes coloca seu nome em nossa lista de espera e não vai ao restaurante, poderíamos usar a tecnologia para identificá-lo e simplesmente mandar um SMS dentro de um programa de CRM. Mas não. O sócio do restaurante liga para ele, conversa, fazendo com que o cliente se sinta único. Novamente, é a tecnologia nos auxiliando a encantar e não só customizar a mensagem.

Acreditamos que, quanto mais conhecemos nossos clientes, mais eficazes somos em fornecer soluções personalizadas e encantadoras. Nossos dados nos permitem agregar valor à experiência como um todo. Ter “coração” é exatamente a diferença que buscamos na Bloomin’ Brands, utilizando a tecnologia como meio para tocar as emoções de nossos consumidores.

Sim, usar a tecnologia é fundamental para compreender os movimentos feitos por nossos clientes em nossos restaurantes, no serviço de entrega, nas redes sociais, nos grupos de mensagens e nos canais de relacionamento. Os dados fornecidos por eles são preciosos, mostram onde estamos errando e acertando, o caminho a seguir e as expectativas que estão sendo ou não atendidas pelo que estamos entregando em produtos e serviços.

Ao analisarmos os dados, queremos saber como deslumbrar, fidelizar e tornar a experiência única, inesquecível e cheia de significado. Queremos tocar as emoções de nossos clientes, surpreendê-los positivamente e fazer com que a combinação do atendimento oferecido com o produto ofertado crie uma conexão entre a marca e o consumidor. Queremos que ele se sinta plenamente atendido em seus desejos e volte para casa com a sensação prazerosa de felicidade pela escolha realizada.

E tudo começa no treinamento. Levamos isso muito a sério aqui na Bloomin’ Brands. É o que permite aos clientes terem uma experiência encantadora em qualquer das nossas 170 unidades de restaurantes pelo Brasil. Nossos atendentes desempenham um papel fundamental para garantir a experiência que desejamos proporcionar em nossos restaurantes e, a cada entrega excepcional, são reconhecidos com um pin – um broche personalizado –, que ele passará a usar em seu uniforme e que é um símbolo bastante reconhecido em nossa cultura. Para garantir que nossos processos sejam ágeis numa empresa de grande porte, investimos na formação de nossas equipes para que tenham autonomia.

E essa preocupação não é apenas com os times que estão na linha de frente, que fazem o atendimento olho no olho, que percebem o gestual, a inquietação, a ansiedade pela chegada do pedido. Nos bastidores, o foco está sempre nos anseios do cliente, com equipes incansavelmente treinadas e comprometidas com essa experiência; no encantamento com a bebida que chega rapidamente, o prato que vem quentinho e enche os olhos, a atenção dada aos novos pedidos, à sobremesa e ao fechamento da conta.

Aliás, a conta fecha, mas não encerra a experiência. A relação e a experiencia são uma contínua construção com os clientes, com o feedback positivo, com os comentários com a família, as indicações aos amigos, as postagens nas redes sociais e, por fim, o retorno para reviver o que o deixou feliz e satisfeito.

Nos orgulhamos muito em dizer que hoje mais de 70% das mensagens que recebemos são elogios, e respondemos a 100% delas. Assim como olhamos para cada oportunidade e sugestão de melhoria entrando em contato com cada cliente. Isso é feito pelo sócio do restaurante porque valorizamos esses momentos e fazemos questão de manter nossos clientes próximos de nós.

Neste ponto, retorno à frase que usei para abrir este artigo: “Nesta era dos dados, quem tem coração é rei”. Onde quero chegar com essa afirmação?

Apesar da importância da tecnologia, que deve ser sempre uma aliada, não pode ser o objetivo principal. A ênfase está na cultura, na conexão humana, na proximidade, na emoção, na qualidade dos produtos e no atendimento oferecidos.

Essa crença é tão profunda em nossa cultura que se reflete em nossos pilares fundamentais: a qualidade da comida que servimos, o rigoroso treinamento que oferecemos aos nossos colaboradores para fornecer um serviço caloroso e amigável e nossa constante busca por inovação, que se traduz em um cardápio sempre atualizado para atender às expectativas em constante evolução de nosso público.

O propósito de um negócio em constante movimento é estabelecer a conexão com as pessoas, suas emoções, suas histórias e aquele brilho nos olhos que inspira e nos mostra o caminho a seguir para inovar, surpreender e alimentar novas jornadas. Junto com o cliente, alcançaremos e manteremos, sempre, a excelência.

Se quem tem coração é rei, imagine centenas de corações em conexão pulsando juntos!

Renata Lamarco é diretora sênior de Marketing e Vendas na Bloomin’ Brands Brasil.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Fonte: Mercado & Consumo