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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Gastronomia investirá em restaurantes móveis

 

Começa a se destacar no Brasil um nicho de mercado da gastronomia de grande sucesso entre o público norte-americano e europeu. Conhecido como food trucks, o conceito de alimentos servidos em veículos móveis, geralmente de pequeno porte, tem atraído os primeiros players no País. Um deles é o La Buena Onda, que serve comida mexicana em seu estabelecimento na região do Tatuapé, zona leste paulistana, e resolveu expandir suas instalações ao ver no nicho de comida servida na rua um novo filão. 
 
A opção do La Buena Onda foi investir na compra de um veículo Ducato (da marca Fiat) e desde maio de 2013 a unidade atua na venda de fast-food mexicano em ruas como a Av. Heitor Penteado (zona oeste da capital paulista), além de vários eventos, como o "Summer Break Festival", o "Anime Friends", ou em festas de confraternização e aniversário. 
 
Segundo Arturo Herrera, um dos responsáveis pelo restaurante, a alta expectativa para o desenvolvimento do La Buena Onda no perfil street food (La Buena Station) é motivada pelo fato de que em menos de sete meses de serviços já foram recuperados 40% dos valores investidos. 
 
O Brasil, que vive o início do processo de amadurecimento desse mercado, vê no modelo um novo segmento, no qual o empresário se ajusta à vida do cliente, que por sua vez tem acesso a uma comida mais próxima, rápida e barata. Segundo Adri Vicente Júnior, sócio e fundador da Food Service Company (FSC), que assessora serviços de gastronomia como restaurantes e padarias, os food trucks ganharam notoriedade na rota do sucesso de operações como a Feirinha Gastronômica na Vila Madalena (SP). Para o consultor, há algumas trajetórias para os que aderirem ao formato: consolidação da marca em restaurantes móveis e manutenção desse modelo; consolidação da marca como food truck e expansão para estabelecimento fixo, como aconteceu com a rede Black Dog; e expansão da marca para o modelo de food truck, por exemplo o La Buena Onda e ainda o Bar Astor. 
 
Investimento 
O investimento necessário para entregar um veículo já transformado e pronto para ser usado é de R$ 76 mil, fora o preço do veículo original. Esse valor somado aos demais investimentos, como criação de mídias sociais, seguro, divulgação, cardápio e registros, fora insumos, é de R$ 150 mil, em média. Já segundo o porta-voz do La Buena Onda, para colocar a Ducato nas ruas foram gastos mais de R$ 180 mil. "A van tem se pagado", ressaltou o executivo. As embalagens são as mesmas usadas para viagem, uma vez que o público ou come nas redondezas do automóvel, ou no caminho de volta ao trabalho. Uma Ducato 2014 custa R$ 94 mil. 
 
Segundo Adri Júnior, um food truck emprega entre cinco e dez pessoas e o preço de uma alimentação servida nesse formato é entre R$ 17,00 e R$ 28,00, considerando um almoço executivo. 
 
Regulamentação 
A proposta de lei para oficializar o serviço de alimentação na rua deu-se no final de 2013, mas a regulamentação oficial está prevista para meados deste ano. Para os empresários que já começaram no negócio, há uma tendência a ser seguida: "Nós usamos como base a regulamentação do dogueiro motorizado, até porque informações sobre o funcionamento de restaurante já tínhamos, e acreditamos ser mais provável que a prefeitura regule e amplie uma lei, e não criar outra", como disse Arturo Herrera. 
 
Uma das empresas responsáveis pela transformação dos veículos é a Fag Brasil, que disputa o mercado com nomes como Revescap e Greencar, que transformam veículos em restaurantes, ambulâncias, vans escolares e pet shop móveis, principalmente . 
 
O trabalho consiste em alterar o interior do veículo e adaptá-lo ao setor em que será usado. No caso dos food truck, instala-se mini-cozinhas. 
 
Gislene Viana, diretora da Fag Brasil, conta que o processo de transformação se dá desde o revestimento do interior do veículo até a instalação do refrigerador, fogão e sistema de energia, que pode ser proveniente de placas solares ou de um complexo de baterias, a depender do investimento disponível. Além do La Buena Onda, fazem parte do portfólio da Fag Brasil empresas como Daigin Sushi e Jameson Food Truck , hamburgueria móvel. 
 
Adaptação 
Na Europa e nos Estados Unidos a expansão desse perfil de negócio foi consequência de estímulos do próprio governo. Lá, há até festivais de comida servida no formato de truck food, sempre próximos a um pátio de alimentação. No Brasil, já adianta Vicente Júnior, haverá adaptações, já que "nenhum projeto de alimentação consegue incorporar a mesma execução que ocorre em outros países, principalmente da parte de culinário". 
Caso a regulamentação da prefeitura de São Paulo falhe, a expansão do setor pode acarretar na piora da poluição, inclusive visual da cidade. Ainda assim, representantes do setor estão seguros quanto aos aspectos da lei, que devem estar atrelados às questões de segurança e higiene nos food trucks. 
 
Segundo Vicente Júnior, o foco dos veículos são os grandes centros comerciais, como a Av. Paulista e a Av. Faria Lima. Isso porque nessas regiões há fluxo intenso de pessoas em horário de trabalho. "Os funcionários gastam em média 30 minutos só nas filas de elevador, mais 30 minutos na fila do restaurante de algum shopping center, mais o tempo para comer e fazer tarefas de banco, por exemplo. Nesse contexto, o food truck é uma alternativa ao trabalhador que quer e precisa evitar filas", disse o sócio da FSC. 
 
O potencial do negócio é tamanho, que, por exemplo, já cresceu o número de empresários que aderiram à Associação Paulistana de Comida de Rua. Segundo Herrera, os associados uniram-se ante a uma possível manifestação de empresários de fast-food, como China In Box e Gendai. Já para Vicente Junior, o crescimento do setor estimula os grandes nomes da culinária brasileira. "Todos os grandes chefes têm um gosto pessoal de levar a alta gastronomia para as ruas", afirmou. 
 
Fonte: DCI

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